Uma descoberta feita por um estudante do Instituto Federal Baiano está ajudando a revelar parte da história ancestral do semiárido baiano. O sítio arqueológico Olhos D’Água, localizado na comunidade do Rumo, em Xique-Xique, foi identificado após a contribuição do estudante Cassiano Santos da Conceição e já integra o Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos do Iphan.
O local reúne pinturas rupestres e vestígios de ferramentas pré-coloniais, ampliando o conhecimento sobre os povos antigos que habitaram a região. A descoberta aconteceu depois que Cassiano compartilhou com pesquisadores do Projeto Assuruá informações sobre a existência dos vestígios em um córrego conhecido como Olhos D’Água.
Morador da comunidade, o estudante contou que conheceu o espaço durante uma visita em família, em 2020, quando ouviu histórias sobre a região contadas pelo pai. A partir do relato, pesquisadores liderados pelo professor Romeu Leite realizaram uma expedição até o local e confirmaram a importância arqueológica da área.
Além das pinturas rupestres da chamada Tradição São Francisco — marcadas por grafismos, figuras geométricas, representações humanas e desenhos de animais —, a equipe encontrou um possível raspador de rocha utilizado por povos antigos para fabricar ferramentas.
Segundo os pesquisadores, a descoberta foi ainda mais significativa porque não havia registros arqueológicos cadastrados naquela região de Xique-Xique. O local também chamou atenção pela paisagem natural, com nascente de águas cristalinas e formações rochosas que possivelmente serviram de abrigo para povos indígenas.
Após a expedição, toda a documentação técnica foi encaminhada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que validou oficialmente o novo sítio arqueológico.
A descoberta reforça a importância da participação das comunidades locais na preservação da memória e valoriza o potencial histórico e cultural do interior da Bahia. O Projeto Assuruá segue atuando na identificação e divulgação de sítios arqueológicos ainda desconhecidos no semiárido baiano, contribuindo para preservar a história das gerações passadas.





