A ciência brasileira alcançou um marco histórico. A Polilaminina, tratamento experimental desenvolvido no país para lesões medulares, já foi administrada a 100 pacientes por meio do Programa de Uso Compassivo, levando esperança a centenas de famílias que convivem com as consequências desse tipo de trauma.
O número foi anunciado nesta semana pela equipe responsável pelo programa. Os pacientes receberam o tratamento em diferentes estados brasileiros, dentro de um protocolo especial que permite o acesso a terapias experimentais antes da aprovação definitiva pelos órgãos reguladores, em situações previstas pela legislação.
Segundo Mitter Mayer, coordenador do grupo de trabalho do Uso Compassivo da Polilaminina, sob supervisão da Dra. Tatiana Sampaio, bióloga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e criadora do tratamento, os resultados têm sido animadores.
“Todos os pacientes que receberam a Polilaminina foram reavaliados após seis meses e 100% apresentaram evolução no nível da lesão medular”, destacou o coordenador em entrevista ao portal Só Notícia Boa.
Como funciona a Polilaminina
A Polilaminina é uma molécula sintética derivada da laminina humana, proteína que desempenha papel essencial na estrutura dos tecidos. O medicamento atua como uma espécie de “andaime biológico”, estimulando a regeneração dos neurônios e favorecendo a recuperação das conexões nervosas.
O tratamento está sendo estudado para casos de lesões medulares agudas, ocorridas há menos de 72 horas, período considerado ideal para a aplicação antes da formação de cicatrizes que dificultam a regeneração dos axônios.
Desenvolvida em parceria entre a UFRJ e o laboratório Cristália, a substância ainda está em fase experimental e recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os ensaios clínicos de Fase 1, etapa destinada à avaliação da segurança do medicamento.
Cem histórias de esperança
Para os pesquisadores, alcançar a marca de 100 pacientes representa muito mais do que um número. É a confirmação de que a pesquisa científica brasileira avança e pode transformar vidas.
“Hoje, esses frascos carregam muito mais do que um tratamento. Eles carregam 100 histórias de esperança. Cem famílias que depositaram sua confiança na ciência. Cem vidas que passaram a fazer parte da nossa história”, afirmou Mitter Mayer em publicação nas redes sociais.
A equipe reforça que cada atendimento fortalece o compromisso com o desenvolvimento de novas alternativas terapêuticas para pessoas que convivem com lesões medulares e outras condições complexas, além de reconhecer o trabalho conjunto de médicos, pesquisadores e profissionais de saúde envolvidos no projeto.
Um futuro promissor
Embora a Polilaminina ainda esteja em desenvolvimento e dependa da conclusão dos estudos clínicos para comprovar sua segurança e eficácia, o avanço alcançado reforça o potencial da ciência nacional e alimenta a expectativa de que novas terapias possam beneficiar um número cada vez maior de pacientes.
Ao celebrar a conquista, o coordenador resumiu o sentimento da equipe: “Que venham os próximos 100. E que, um dia, possamos olhar para trás e dizer que tudo isso foi apenas o começo. Pela ciência. Pela esperança. Pelas vidas que ainda podemos transformar.”



