Nova esperança contra o câncer de pâncreas: medicamento quase dobra sobrevida em estudo

Redação Notícia Boa Bahia
5 Leitura mínima
Kim Raff/The New York Times/ Arquivo SNB

Uma nova esperança surge para pacientes com câncer de pâncreas metastático. O FDA, órgão que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou nesta quarta-feira, 26 de agosto, o daraxonrasib, um novo tratamento que praticamente dobrou a sobrevida mediana de pacientes em um grande estudo clínico. O medicamento, que será comercializado nos Estados Unidos com o nome Rasonque, é administrado por via oral, na dose de 300 mg uma vez ao dia, e representa um avanço importante no combate a uma das formas mais difíceis de câncer.

Os resultados do estudo de fase 3 RASolute 302, que acompanhou 500 pacientes com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já haviam recebido tratamento, surpreenderam a comunidade médica. Entre os pacientes tratados com daraxonrasib, a sobrevida mediana foi de 13,2 meses, enquanto aqueles que receberam quimioterapia tiveram sobrevida mediana de 6,7 meses. O risco de morte também foi 60% menor entre os pacientes que receberam o novo medicamento. A sobrevida livre de progressão da doença chegou a 7,2 meses com o daraxonrasib, contra 3,6 meses com quimioterapia, enquanto a taxa de resposta ao tratamento foi de 30%, diante de 11% no grupo que recebeu quimioterapia.

Os resultados foram apresentados em junho durante um congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica, nos Estados Unidos, e provocaram uma reação rara entre os especialistas. Médicos e pesquisadores se levantaram para aplaudir os dados, e alguns chegaram a chorar diante da perspectiva de um avanço tão significativo contra uma doença historicamente difícil de tratar.

Um dos motivos para o entusiasmo é a forma como o daraxonrasib atua. Mais de 90% dos cânceres de pâncreas apresentam alterações relacionadas à via RAS, um mecanismo que funciona como uma espécie de interruptor responsável por estimular o crescimento das células cancerosas. Durante décadas, pesquisadores tentaram desenvolver medicamentos capazes de atingir essas proteínas, mas encontraram grandes dificuldades. O novo tratamento conseguiu superar parte dessa barreira e bloquear a ação dessas proteínas, dificultando a multiplicação das células tumorais.

A descoberta pode ter efeitos que vão além do câncer de pâncreas. Como as proteínas da família RAS também estão envolvidas em outros tipos de tumores, especialistas acreditam que o avanço pode ajudar a abrir caminho para uma nova geração de medicamentos contra diferentes tipos de câncer.

Apesar dos resultados animadores, o daraxonrasib não é uma cura para o câncer de pâncreas. A sobrevida de 13,2 meses representa uma mediana observada no estudo e não significa que todos os pacientes terão exatamente esse tempo de vida. Alguns participantes continuam vivos por períodos mais longos, mostrando que os resultados podem variar de pessoa para pessoa.

Como qualquer tratamento contra o câncer, o medicamento também pode causar efeitos colaterais, entre eles erupções na pele, diarreia, inflamação da boca, náusea, fadiga, vômitos, dor abdominal, inchaço e redução do apetite. Ainda assim, apenas 1,2% dos pacientes interromperam o tratamento com daraxonrasib devido a efeitos adversos relacionados ao medicamento, enquanto entre os pacientes que receberam quimioterapia esse índice foi de 11,2%.

A aprovação do Rasonque representa um marco importante na luta contra o câncer de pâncreas e é resultado de décadas de pesquisas para encontrar maneiras de atingir a via RAS. O medicamento já está disponível mediante prescrição nos Estados Unidos. Por enquanto, a aprovação vale para o mercado norte-americano e ainda não há previsão de chegada ao Brasil. Para pacientes e famílias que enfrentam a doença, porém, o avanço traz algo que durante muito tempo foi difícil de encontrar: uma nova perspectiva de esperança.

- Anúncio -

Quer se informar com leveza e positividade? Siga o @noticiaboabahia e saiba as notícias boas de toda a Bahia

Compartilhe este artigo