Uma das medicações mais procuradas atualmente para o tratamento da obesidade poderá ganhar um novo alcance no Brasil. O governo federal anunciou que trabalha para incorporar medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” ao tratamento da obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).
O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira (17), durante uma visita a uma fábrica farmacêutica em Montes Claros, em Minas Gerais. Segundo o Ministério da Saúde, a eventual oferta será destinada a pacientes que apresentem indicação médica, dentro de critérios que ainda serão definidos.
A medida pode representar um avanço no acesso ao tratamento da obesidade, especialmente para pessoas que enfrentam formas mais graves da doença ou convivem com outros problemas de saúde relacionados ao excesso de peso.
Estudo já testa medicamento no SUS
Parte do trabalho necessário para avaliar essa estratégia já está em andamento. Desde junho, 250 pacientes do Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre, participam do estudo Real-Bari, que utiliza semaglutida, princípio ativo presente em medicamentos da classe das chamadas canetas contra a obesidade.
O grupo é formado por pessoas com obesidade grave ou obesidade associada a outras condições de saúde. Entre os objetivos da pesquisa está avaliar se o tratamento medicamentoso pode ajudar pacientes que aguardam uma cirurgia bariátrica a controlar a doença e, em alguns casos, evitar a necessidade da operação.
Os pesquisadores acompanham a evolução do peso, da circunferência abdominal, dos exames clínicos, da qualidade de vida e da segurança do tratamento. O estudo também avalia os custos da terapia para o sistema público.
Um dos primeiros pacientes apresentados pelo Ministério da Saúde já havia registrado perda de seis quilos e redução da circunferência abdominal após o início do tratamento.
Tratamento poderá beneficiar pacientes que mais precisam
A proposta em análise não prevê a distribuição indiscriminada das chamadas canetas emagrecedoras.
A expectativa é que o tratamento seja destinado a pessoas com obesidade grave, pacientes que tenham outras doenças associadas à obesidade e pessoas que aguardam cirurgia bariátrica. O Ministério da Saúde também avalia possíveis benefícios para pacientes com doenças cardiovasculares e mulheres que tiveram câncer de mama.
Na prática, o acesso dependerá de avaliação médica e do cumprimento dos critérios que serão estabelecidos no protocolo clínico.
A possível incorporação dos medicamentos ocorre diante do avanço da obesidade entre os brasileiros.Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde, 41,2 milhões de adultos tinham obesidade em 2019, o equivalente a 25,9% da população brasileira com 18 anos ou mais.
Os dados mais recentes também mostram que o problema permanece relevante. No Vigitel 2024, 25,7% dos adultos entrevistados nas capitais brasileiras e no Distrito Federal apresentavam obesidade. Em 2006, esse percentual era de 11,8%.Obesidade é um desafio crescente no país
Isso não significa, porém, que todos esses brasileiros tenham indicação para utilizar medicamentos contra a obesidade. A necessidade de tratamento farmacológico depende de fatores como o grau da doença, a existência de outras condições de saúde, tratamentos anteriores e avaliação individual de cada paciente.
Outro fator que pode favorecer a discussão sobre a oferta desses medicamentos pelo SUS é a mudança no cenário do mercado.
A Conitec havia rejeitado, em 2025, uma proposta de incorporação da semaglutida para determinado grupo de pacientes, considerando, entre outros aspectos, o impacto financeiro estimado para o sistema público.
Desde então, o cenário passou por mudanças, incluindo o vencimento da patente da semaglutida e a chegada de novos produtos ao mercado. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil já conta com 14 medicamentos registrados nessa categoria.
Com mais opções disponíveis e maior concorrência, existe a possibilidade de redução dos custos, um fator importante para uma eventual oferta em larga escala pelo SUS.
Ainda não há uma data definida para que pacientes de todo o país possam receber as chamadas canetas contra a obesidade nas unidades do SUS.
Antes da distribuição nacional, o governo precisa concluir as avaliações técnicas e econômicas, definir o medicamento ou conjunto de medicamentos que poderá ser utilizado e estabelecer o protocolo clínico com os critérios para indicação do tratamento.
Ou seja, o anúncio representa o início de um processo que ainda precisa cumprir etapas regulatórias e técnicas.
Também ainda não foi definida uma marca específica.
O estudo realizado em Porto Alegre utiliza semaglutida, um medicamento da classe dos agonistas de GLP-1. No entanto, o Ministério da Saúde trata a futura estratégia de forma mais ampla, considerando medicamentos dessa classe.
Mais concorrência pode ajudar a ampliar o acesso
Quando o medicamento estará disponível?
Qual caneta será oferecida?



