Terceira fase do programa prevê compra de carteiras de dívidas pela União e repasse dos descontos aos consumidores; primeiras renegociações devem começar em fevereiro de 2027
Milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades para quitar dívidas antigas poderão ter uma nova oportunidade de reorganizar a vida financeira. O governo federal anunciou, nesta sexta-feira (25), a terceira fase do Desenrola Brasil, que prevê a compra, pela União, de carteiras de dívidas inadimplidas e o repasse do desconto obtido diretamente aos consumidores.
A expectativa oficial é que o programa possa beneficiar até 15 milhões de pessoas. Poderão entrar na iniciativa dívidas bancárias e não bancárias com valor original de até R$ 10 mil, vencidas há mais de 720 dias e menos de 1.645 dias, considerando a data de 25 de setembro de 2026.
Desconto pode chegar a 90% ou mais
Uma das principais novidades desta etapa é o modelo de negociação. Em vez de cada consumidor negociar individualmente com o credor, a União poderá adquirir grandes carteiras de dívidas por meio de leilões.
As instituições participantes deverão apresentar propostas com descontos, e as ofertas com os maiores abatimentos terão prioridade. O programa estabelece deságio mínimo de 90% nas carteiras adquiridas, com o desconto obtido sendo repassado integralmente ao devedor.
Na prática, uma dívida originalmente avaliada em R$ 5 mil, por exemplo, poderia chegar a R$ 500 caso seja adquirida com desconto de 90%. Nesse cenário, a economia seria de R$ 4.500. O valor efetivo, porém, dependerá das condições da operação e da dívida incluída no programa.
O consumidor poderá quitar o saldo à vista ou optar pelo parcelamento. Nesse segundo caso, haverá cobrança de juros, com taxas e condições ainda a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional.
Contas de serviços também podem ser contempladas
A nova etapa não ficará restrita às dívidas bancárias. A expectativa é incluir também débitos não bancários, como contas de água, energia, telefonia e compromissos no comércio.
Segundo dados apresentados pelo governo, cerca de 55% do estoque de dívidas considerado corresponde a débitos não bancários, enquanto as contas de água, luz e energia representam aproximadamente 20%.
Até R$ 150 bilhões em dívidas podem ser elegíveis
O governo estima que até R$ 150 bilhões em dívidas possam ser elegíveis para aquisição. Considerando a adesão parcial de credores e consumidores, a previsão é que aproximadamente R$ 75 bilhões sejam efetivamente renegociados.
Para viabilizar a operação, estão previstos até R$ 15 bilhões em recursos. A Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil poderão participar da operacionalização, inclusive por meio de fundos de investimento em direitos creditórios dos quais a União seja cotista.
Quando começam as renegociações?
O benefício ainda não está disponível para contratação. O cronograma divulgado prevê:
📌 Novembro de 2026: chamamento dos credores;
📌 Dezembro de 2026: apresentação das propostas pelas instituições;
📌 Janeiro de 2027: seleção e homologação das propostas;
📌 Fevereiro de 2027: assinatura dos contratos e início das ofertas de renegociação aos consumidores.
Até a abertura oficial das negociações, a orientação é ter cuidado com mensagens e anúncios que prometam acesso antecipado ao programa ou solicitem pagamentos para liberar descontos.
Programa chega em meio a alto número de inadimplentes
Dados do Tesouro Nacional citados pelo governo apontam que 83,9 milhões de brasileiros estavam negativados em agosto de 2026. O estoque de dívidas com até cinco anos de atraso alcançava R$ 592 bilhões, com uma média de quatro dívidas por pessoa e aproximadamente R$ 7 mil em débitos.



