Estudo com camundongos conseguiu reativar mecanismos naturais de reparo do coração e abre caminho para futuras terapias
Vai ciência! Uma descoberta feita por pesquisadores dos Estados Unidos pode abrir um novo caminho para a recuperação do coração após um infarto. Cientistas do Sanford Burnham Prebys Medical Discovery Institute conseguiram reativar, em camundongos, mecanismos naturais de regeneração que ficam praticamente adormecidos depois dos primeiros dias de vida.
Nos testes, o tratamento fez células do músculo cardíaco voltarem a se multiplicar, estimulou a formação de novos vasos sanguíneos e reduziu o tecido de cicatriz formado após a lesão. A pesquisa foi publicada no dia 28 na revista científica Nature Cardiovascular Research.
O estudo partiu de uma característica observada no coração de animais recém-nascidos. Nos primeiros dias de vida, o coração dos camundongos apresenta uma capacidade de regeneração que desaparece rapidamente. Os pesquisadores buscaram entender como esse mecanismo poderia ser reativado depois de um infarto.
A equipe descobriu que o bloqueio temporário de uma enzima chamada succinato desidrogenase altera a forma como as células cardíacas produzem energia. Para isso, foi utilizada uma substância chamada malonato. A mudança metabólica fez as células apresentarem características mais próximas das observadas durante o período em que o coração ainda possui maior capacidade de regeneração.
Um dos resultados mais importantes foi perceber que diferentes tipos de células participam desse processo. Nos cardiomiócitos, responsáveis pela contração do coração, o tratamento estimulou a multiplicação celular. Já nos fibroblastos, envolvidos na formação de cicatrizes, houve redução da fibrose e melhora da função cardíaca.
Os pesquisadores também observaram alterações na atividade dos genes. Regiões relacionadas à regeneração e à multiplicação celular ficaram mais acessíveis, enquanto genes associados à formação de cicatrizes apresentaram menor atividade.
“É um efeito multicelular que está impulsionando a regeneração”, explicou Ahmed Mahmoud, autor sênior do estudo. Segundo o pesquisador, a reprogramação metabólica parece despertar diferentes características da resposta regenerativa normalmente observada no coração de animais recém-nascidos.
Apesar dos resultados promissores, a descoberta ainda está em fase experimental e não foi testada em seres humanos. Os próximos estudos deverão avaliar a segurança da estratégia e investigar se o mecanismo poderá, no futuro, ser transformado em uma terapia para pacientes que sofreram um infarto.



