Nova estrutura será instalada no Hemoce, em Fortaleza, e deve começar a funcionar até o início de 2027
O Brasil está avançando para ampliar o acesso a uma das terapias mais inovadoras no combate ao câncer. Uma nova estrutura para desenvolver e produzir células CAR-T, tratamento que utiliza as próprias células de defesa do paciente para combater tumores, será instalada no Hemoce, em Fortaleza, tornando-se o primeiro laboratório modular desse tipo no Nordeste.
A previsão é que a unidade fique pronta até o início de 2027. O projeto integra uma estratégia do Ministério da Saúde e da Fiocruz para desenvolver a tecnologia no país e ampliar, de forma progressiva, a oferta do tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Inicialmente, a terapia será estudada para pacientes com leucemias e linfomas, especialmente aqueles que não apresentaram resposta aos tratamentos convencionais ou que tiveram uma nova ocorrência da doença.
A chegada do laboratório ao Ceará também pode representar um avanço importante para pacientes nordestinos. Com a produção mais próxima da região, será possível reduzir distâncias, tempo e custos envolvidos no transporte das células utilizadas no tratamento.
Produção brasileira pode tornar tratamento mais acessível
Um dos principais desafios da terapia CAR-T atualmente é o alto custo. Segundo o Ministério da Saúde, uma dose comercial nos Estados Unidos pode custar entre US$ 350 mil e US$ 400 mil. No Brasil, terapias comerciais disponíveis podem chegar a valores entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões por paciente, de acordo com dados apresentados pelo governo do Ceará.
A aposta na produção nacional busca justamente mudar esse cenário. O desenvolvimento da tecnologia dentro do país pode contribuir para reduzir custos e, no futuro, ampliar o número de pacientes que poderão ter acesso ao tratamento pelo SUS.
O modelo modular também foi pensado para ser reproduzido em diferentes regiões brasileiras. Dessa maneira, as células dos pacientes poderão ser coletadas, modificadas e posteriormente devolvidas ao organismo em locais mais próximos de onde o tratamento é realizado.
Como funciona a terapia CAR-T
A terapia CAR-T utiliza os linfócitos T, células do sistema imunológico do próprio paciente. Elas são retiradas do sangue e levadas para um laboratório, onde passam por uma modificação genética para adquirir a capacidade de reconhecer células cancerígenas.
Depois de modificadas e multiplicadas, as células são reinfundidas no paciente. A partir daí, passam a identificar e atacar as células do câncer.
No projeto desenvolvido pela Fiocruz, será estudada uma tecnologia chamada duoCAR-T triespecífica, desenvolvida para reconhecer três diferentes alvos associados ao câncer.
Segundo laboratório amplia capacidade brasileira
A nova estrutura no Ceará será o segundo laboratório modular de CAR-T do país. O primeiro foi instalado em maio deste ano em Bio-Manguinhos/Fiocruz, no Rio de Janeiro.
O projeto no Nordeste reúne o Ministério da Saúde, a Fiocruz, a Secretaria da Saúde do Ceará, o HU Brasil e a Universidade Federal do Ceará (UFC).
Os equipamentos da nova unidade já foram adquiridos e deverão chegar dos Estados Unidos. A previsão é concluir a montagem até o início de 2027. Depois dessa etapa, pacientes que atenderem aos critérios estabelecidos poderão participar dos estudos.
A pesquisa deverá acompanhar os resultados durante aproximadamente um ano e meio. A ampliação da terapia para um número maior de pessoas dependerá dos resultados obtidos nessa etapa e dos processos necessários para que a tecnologia possa ser incorporada em maior escala.



