Um novo curativo desenvolvido por cientistas alemães pode trazer esperança para pessoas com diabetes, problemas de circulação e outros pacientes que convivem com feridas crônicas. A tecnologia foi criada para combater infecções e, ao mesmo tempo, estimular a regeneração da pele, podendo ajudar a acelerar o processo de cicatrização. O projeto é desenvolvido por pesquisadores do Instituto Fraunhofer de Tecnologias e Sistemas Cerâmicos (IKTS), em Dresden, na Alemanha.
O novo material é biodegradável e formado por fibras extremamente finas capazes de transportar substâncias diretamente para a região lesionada. A proposta dos pesquisadores é reunir, em uma única camada, componentes com diferentes funções: combater bactérias, estimular o crescimento de novas células da pele e contribuir para o fechamento das feridas.
Um dos componentes utilizados são os bacteriófagos, vírus capazes de atacar determinadas bactérias e que podem ajudar no combate a microrganismos responsáveis por infecções. O curativo também conta com proteínas que estimulam o crescimento de novas células da pele e com materiais microscópicos chamados MXenes, que apresentam propriedades antissépticas e podem auxiliar no combate aos agentes causadores de infecções.
A expectativa é que a combinação desses componentes permita que o curativo vá além da proteção da ferida, atuando diretamente no combate às infecções e no processo de regeneração da pele. A tecnologia também surge como uma possível alternativa diante do avanço da resistência bacteriana aos antibióticos.
A novidade pode ser especialmente importante para pessoas com diabetes e dificuldades de circulação sanguínea. Nesses pacientes, até mesmo pequenos ferimentos podem levar semanas ou meses para cicatrizar, aumentando o risco de infecções e complicações mais graves. Segundo os pesquisadores, cerca de 1 milhão de pessoas na Alemanha recebem tratamento para feridas crônicas, com custos que chegam a aproximadamente 7,5 bilhões de euros por ano.
De acordo com Peter Schmieder, pesquisador do Fraunhofer IKTS e integrante da equipe responsável pelo projeto, um dos diferenciais da tecnologia é a presença de substâncias ativas no próprio material. Enquanto os curativos convencionais têm como principal função proteger a lesão, o novo modelo foi desenvolvido para atuar também sobre os microrganismos e estimular os mecanismos de regeneração da pele.
Apesar da expectativa, o curativo ainda está em fase experimental e não está disponível para pacientes. Os cientistas trabalham para reunir os diferentes componentes no mesmo material sem comprometer a ação de cada um. O desafio é maior porque os bacteriófagos e as proteínas utilizadas na regeneração da pele são sensíveis à temperatura e a outras condições ambientais.
O projeto internacional AntiMicroMXen começou em junho de 2024 e tem conclusão prevista para maio de 2027. A pesquisa reúne instituições da Alemanha, Polônia e Letônia. Após o desenvolvimento do material, ainda serão necessários testes clínicos e avaliações de segurança e eficácia antes de uma eventual aprovação para uso em pacientes. O Fraunhofer IKTS também busca parceiros clínicos para participar das próximas etapas da pesquisa.
Embora ainda existam etapas importantes até que a tecnologia possa chegar aos hospitais e clínicas, o desenvolvimento representa uma perspectiva promissora para o tratamento de feridas difíceis de cicatrizar. A expectativa é criar um curativo que, além de proteger a região machucada, possa ajudar o organismo a combater infecções e acelerar o processo natural de recuperação da pele.

