O imunizante é resultado de uma parceria entre pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade de São Paulo (USP) e do laboratório Cristália. Caso os estudos comprovem sua segurança e eficácia, a vacina poderá se tornar a primeira do mundo voltada especificamente para essa espécie do parasita.
A autorização representa um passo importante para a pesquisa nacional e reforça o potencial das universidades públicas brasileiras no desenvolvimento de soluções para desafios de saúde pública.
Primeira etapa vai avaliar a segurança da vacina
Os primeiros testes serão realizados no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte, e contarão com 48 voluntários, com idades entre 18 e 59 anos.
Durante essa fase, os pesquisadores vão avaliar três dosagens diferentes da Vivaxin, observando possíveis efeitos adversos e a resposta do sistema imunológico. O esquema de vacinação prevê três aplicações, com intervalos de 28 dias, e acompanhamento médico por 360 dias.
Os participantes receberão a candidata a vacina ou placebo, conforme a divisão dos grupos do estudo.
Essa etapa é fundamental para verificar se o imunizante apresenta condições adequadas de segurança para avançar nas pesquisas. Se os resultados forem positivos, serão necessárias novas fases de testes para avaliar sua eficácia na prevenção da doença.
Uma esperança especialmente importante para o Brasil
A novidade tem grande relevância para o país. Segundo os dados citados pelo Ministério da Saúde, o Brasil registrou 118.037 casos de malária em 2025, com concentração da transmissão na região amazônica.
O Plasmodium vivax é responsável por aproximadamente 85% ou mais dos casos brasileiros. Apesar de já existirem vacinas recomendadas internacionalmente contra outra espécie do parasita, o Plasmodium falciparum, ainda não há uma vacina disponível para uso na população especificamente contra o P. vivax.
Por isso, o desenvolvimento da Vivaxin pode representar um avanço importante na busca por novas ferramentas de prevenção, especialmente para comunidades amazônicas, populações indígenas e pessoas que vivem em regiões de difícil acesso aos serviços de saúde.
A vacina poderá, no futuro, complementar as medidas já utilizadas no combate à doença, como o diagnóstico precoce, o tratamento dos infectados e o controle dos mosquitos transmissores.
Investimento fortalece a pesquisa nacional
O projeto também evidencia a importância do investimento em ciência e inovação no Brasil. O Ministério da Saúde prevê R$ 12 milhões para apoiar os ensaios clínicos das fases I, II e III.
A pesquisa integra o trabalho do CTVacinas, centro científico da UFMG que desenvolve tecnologias voltadas ao enfrentamento de diferentes doenças.
Além de ampliar o conhecimento científico sobre a malária, iniciativas como essa fortalecem a capacidade nacional de desenvolver tecnologias próprias e soluções direcionadas às necessidades da população brasileira.
Próximos passos trazem expectativa de novos avanços
Com a autorização dos testes em humanos, a Vivaxin inicia uma etapa decisiva de seu desenvolvimento. Os resultados permitirão aos pesquisadores compreender melhor a segurança do imunizante e sua capacidade de estimular uma resposta imunológica.
Ainda não há previsão confirmada para a conclusão de todas as fases de pesquisa nem para uma eventual disponibilização da vacina à população.

