Brasil passa a oferecer exame de sangue que auxilia na identificação do Alzheimer

Redação Notícia Boa Bahia
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Divulgação
O Brasil deu um importante passo no avanço da medicina diagnóstica com a chegada do primeiro exame de sangue para identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer com registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Disponível desde quinta-feira (15) no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre (RS), o teste representa uma nova possibilidade para a investigação da doença, com potencial para reduzir a necessidade de procedimentos mais invasivos e tornar o processo diagnóstico mais acessível e confortável para os pacientes.
A novidade utiliza a tecnologia Lumipulse, da fabricante Fujirebio, para medir os níveis da proteína p-tau217 no sangue. Esse biomarcador está associado ao acúmulo de placas de beta-amiloide no cérebro, uma das principais características biológicas do Alzheimer. Com a análise sanguínea, médicos passam a contar com mais uma ferramenta para auxiliar na avaliação de pessoas que apresentam alterações cognitivas e suspeita clínica da doença.

 

Um dos principais benefícios do exame é a possibilidade de diminuir a necessidade de procedimentos como a punção lombar, utilizada para coletar o líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, além de determinados exames de imagem especializados. A nova alternativa pode contribuir para uma investigação clínica mais prática, respeitando as necessidades individuais de cada paciente.

 

A eficácia da tecnologia também foi avaliada em um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, que reuniu 1.767 pacientes da Suécia, Espanha e Itália. Os resultados demonstraram concordância de até 94% entre o exame de sangue e a análise do líquido cefalorraquidiano, dependendo dos critérios utilizados. Os dados reforçam o potencial dos biomarcadores sanguíneos como aliados na investigação do Alzheimer e no aprimoramento das estratégias de diagnóstico.

 

O exame custa aproximadamente R$ 3 mil na rede privada e é indicado para pessoas que já apresentam sintomas cognitivos e suspeita clínica da doença. Embora represente um avanço importante, o teste não deve ser utilizado como ferramenta de rastreamento de rotina em pessoas sem sintomas, nem como único critério para confirmar o diagnóstico. A interpretação dos resultados cabe ao médico, que deve considerar o histórico, os sintomas, a avaliação clínica e a necessidade de exames complementares.

 

Os resultados podem ser positivos, negativos ou inconclusivos. De acordo com Eduardo Zimmer, responsável pela implementação da tecnologia no Hospital Moinhos de Vento, cerca de 15% a 20% dos pacientes podem apresentar resultados intermediários, situação que exige investigação adicional. Essa avaliação individualizada é fundamental para garantir que o exame seja utilizado de maneira adequada e contribua efetivamente para a condução clínica.

 

A iniciativa se soma a outras análises de p-tau217 já oferecidas no país, como a realizada pelo laboratório Richet em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), com custo aproximado de R$ 1,8 mil, conforme as informações divulgadas sobre o serviço. A chegada do teste com registro na Anvisa amplia as alternativas disponíveis para a investigação de alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer e fortalece o desenvolvimento da medicina de precisão no Brasil.

 

Apesar do avanço, a incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não tem previsão. Para que isso aconteça, é necessária a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), etapa que, segundo o Ministério da Saúde, ainda não foi iniciada para esse exame.

 

A novidade representa uma perspectiva positiva para pacientes, familiares e profissionais de saúde, ao ampliar os recursos disponíveis para investigar uma doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Embora não substitua a avaliação médica nem represente uma confirmação isolada do Alzheimer, o exame de sangue abre caminho para uma abordagem diagnóstica mais moderna e menos invasiva, reforçando a importância da pesquisa científica e da inovação no cuidado com a saúde cerebral.

 

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