Um dos principais benefícios do exame é a possibilidade de diminuir a necessidade de procedimentos como a punção lombar, utilizada para coletar o líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, além de determinados exames de imagem especializados. A nova alternativa pode contribuir para uma investigação clínica mais prática, respeitando as necessidades individuais de cada paciente.
A eficácia da tecnologia também foi avaliada em um estudo publicado em 2025 na revista científica Nature Medicine, que reuniu 1.767 pacientes da Suécia, Espanha e Itália. Os resultados demonstraram concordância de até 94% entre o exame de sangue e a análise do líquido cefalorraquidiano, dependendo dos critérios utilizados. Os dados reforçam o potencial dos biomarcadores sanguíneos como aliados na investigação do Alzheimer e no aprimoramento das estratégias de diagnóstico.
O exame custa aproximadamente R$ 3 mil na rede privada e é indicado para pessoas que já apresentam sintomas cognitivos e suspeita clínica da doença. Embora represente um avanço importante, o teste não deve ser utilizado como ferramenta de rastreamento de rotina em pessoas sem sintomas, nem como único critério para confirmar o diagnóstico. A interpretação dos resultados cabe ao médico, que deve considerar o histórico, os sintomas, a avaliação clínica e a necessidade de exames complementares.
Os resultados podem ser positivos, negativos ou inconclusivos. De acordo com Eduardo Zimmer, responsável pela implementação da tecnologia no Hospital Moinhos de Vento, cerca de 15% a 20% dos pacientes podem apresentar resultados intermediários, situação que exige investigação adicional. Essa avaliação individualizada é fundamental para garantir que o exame seja utilizado de maneira adequada e contribua efetivamente para a condução clínica.
A iniciativa se soma a outras análises de p-tau217 já oferecidas no país, como a realizada pelo laboratório Richet em parceria com o Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), com custo aproximado de R$ 1,8 mil, conforme as informações divulgadas sobre o serviço. A chegada do teste com registro na Anvisa amplia as alternativas disponíveis para a investigação de alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer e fortalece o desenvolvimento da medicina de precisão no Brasil.
Apesar do avanço, a incorporação da tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) ainda não tem previsão. Para que isso aconteça, é necessária a avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), etapa que, segundo o Ministério da Saúde, ainda não foi iniciada para esse exame.
A novidade representa uma perspectiva positiva para pacientes, familiares e profissionais de saúde, ao ampliar os recursos disponíveis para investigar uma doença que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Embora não substitua a avaliação médica nem represente uma confirmação isolada do Alzheimer, o exame de sangue abre caminho para uma abordagem diagnóstica mais moderna e menos invasiva, reforçando a importância da pesquisa científica e da inovação no cuidado com a saúde cerebral.


