Mesmo tendo estudado apenas até a quarta série, o avô acreditava no poder transformador da educação e ensinou ao neto que o conhecimento deveria caminhar junto com o respeito ao próximo.“Uma das coisas que ele me ensinou, que para mim é uma grande lição, é que quanto mais um ser humano estuda, mais educado ele deve ser. Meu avô faleceu já tem 11 anos, mas deixou um legado”, recordou Rafael.
Inspirado por esse exemplo, o baiano enfrentou o desafio de desenvolver duas pesquisas de doutorado ao mesmo tempo, no Instituto de Geociências da Unicamp. Uma jornada que exigiu dedicação, disciplina e uma intensa rotina de atividades acadêmicas.
Além da conquista universitária, Rafael escolheu direcionar seu conhecimento para uma questão de grande relevância social: os impactos da seca no sertão da Bahia, especialmente sobre as comunidades que enfrentam maior vulnerabilidade diante da escassez de água.Com uma formação multidisciplinar, o pesquisador analisa como as mudanças nas condições climáticas, associadas aos fatores sociais, podem ampliar os riscos para as populações do semiárido brasileiro.
Para ele, a produção científica precisa ter uma finalidade que ultrapasse os limites da universidade. “A ciência, ela deve ser feita com o intuito de servir a sociedade”, destacou.Os estudos apontam para a possibilidade de secas mais frequentes nas próximas décadas, com consequências que podem atingir o abastecimento de água, a vegetação e a biodiversidade do semiárido. O cenário reforça a importância de políticas de prevenção, planejamento e redução dos riscos climáticos.
Rafael defende que as pesquisas científicas sejam utilizadas para orientar o poder público na identificação de áreas vulneráveis, na antecipação de cenários e na elaboração de medidas capazes de proteger as comunidades mais afetadas.“O Brasil, o Estado brasileiro, precisa investir em redução de risco de desastre hidrometeorológico”, afirmou.
A trajetória do pesquisador reúne duas conquistas: a realização de um feito acadêmico de destaque e o compromisso de colocar o conhecimento a serviço da população. Uma história que começou com os ensinamentos de um avô e que hoje pode ajudar a construir caminhos para um futuro mais seguro e sustentável para o sertão baiano.


