Dia Internacional de Conscientização Sobre o Ruído terá lançamento de cartilha online sobre o tema

Redação Notícia Boa Bahia
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 No dia 29 de abril se comemora o Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído (International Noise Awareness Day – INAD). A data propõe uma reflexão sobre uma realidade preocupante:  a humanidade está se tornando mais barulhenta e isso traz graves consequências à saúde das pessoas. Relatório divulgado em 2018 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que até 2050 cerca de 900 milhões de pessoas vão apresentar algum tipo de perda auditiva causada pelo excesso de ruído. Para ajudar a população a entender melhor a gravidade deste problema a Audium, empresa baiana especializada em projetos de acústica, lança no dia 29 de abril uma cartilha online com informações e dados sobre o tema.

“Queremos chamar a atenção para um problema que está presente no nosso dia a dia, mas que muitas vezes é normalizado e não tem a atenção merecida. O excesso de barulho, mais do que incomodar, pode adoecer uma pessoa, física e mentalmente”, afirma a CEO da Audium, a arquiteta Débora Barretto, referência nacional em acústica. 

Com uma média de 20 páginas, a cartilha contém textos curtos, leves e de fácil entendimento. São informações objetivas sobre o que é considerado poluição sonora; quais os níveis de decibéis que afetam a saúde; depoimentos de profissionais que trabalham em ambientes que são acusticamente harmonizados; uma tabela com os níveis de decibéis e o que eles provocam no corpo humano.

Além disso, a cartilha traz um guia de serviços com os contatos de vários órgãos no Nordeste que aceitam denúncias relativas a poluição sonora. Quem quiser poderá acessar e baixar a cartilha gratuitamente através do site (www.audium.com.br).

 

Questão de saúde

A exposição diária e constante a barulhos que estão acima dos níveis recomendados por especialistas pode causar problemas sérios como perturbação e desconforto, prejuízo cognitivo, distúrbios do sono e até doenças cardiovasculares. O relatório Fronteiras, Barulhos, Chamas e Descompasso: questões emergentes de preocupação ambiental, divulgado em 2022 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) revela que na União Europeia os sons indesejados contribuem, anualmente, com a morte prematura de 12 mil pessoas, além de afetar um em cada cinco cidadãos da região.

O Dia Internacional de Conscientização sobre o Ruído foi criado em 1966, nos Estados Unidos, pela League for the Hard of Hearing, hoje Center for Hearing and Comunication – CHC e é sempre comemorado na quarta-feira da última semana do mês de abril. O objetivo é chamar a atenção para a questão da poluição sonora, tão presente nos centros urbanos e apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o segundo maior agente poluidor ambiental, ficando atrás apenas da poluição do ar. No Brasil, a campanha é promovida desde 2008 e assumiu o nome INAD Brasil.

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Para a OMS, o nível recomendável de ruído deve ser de 50 decibéis durante o dia, mas em locais fechados, sem tratamento acústico, uma simples conversa pode gerar ruídos acima de 65 decibéis, o que já é suficiente para causar dor de cabeça, irritabilidade, pressão alta, entre outras consequências. “Ambientes com barulho excessivo podem gerar fadiga auditiva, reduzir a concentração e comprometer a comunicação, uma vez que a inteligibilidade da fala é prejudicada, dificultando interações eficazes e impactando diretamente a produtividade. Além disso, o ruído contínuo pode causar estresse e aumentar o risco de perda auditiva ao longo do período de exposição”, afirma o fonoaudiólogo Danilo Gil.

A poluição sonora também afeta muito as pessoas que têm Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), entre outras condições neurodivergentes. “Os autistas, por exemplo, têm hipersensibilidade auditiva e por isso lugares barulhentos são insuportáveis para eles. É quase uma dor física. Nesses casos, ambientes com conforto acústico lhes proporciona mais tranquilidade e bem-estar físico e mental”, explica Débora Barretto.

Ao longo dos anos, o crescimento e a urbanização das cidades acabaram normalizando a convivência diária com vários tipos de ruídos. A tecnologia evoluiu e hoje já existem várias soluções para amenizar ou mesmo isolar os barulhos cotidianos de uma metrópole. Estudos no mundo inteiro comprovam que este é um investimento necessário. “Mais do que um item dentro de um projeto de arquitetura, o conforto acústico está relacionado ao bem-estar das pessoas. É uma questão de saúde que deve entrar no planejamento de todas as cidades”, afirma Débora Baretto.

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