Homem surdo há 2 décadas volta a escutar após cirurgia inédita no RS

Redação Notícia Boa Bahia
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Flávio Fidelis, de 51 anos, passou por procedimento inovador no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, que implantou eletrodos diretamente na base do crânio.

A medicina brasileira alcançou um novo marco: um homem que passou mais de 20 anos completamente surdo voltou a escutar após uma cirurgia inédita realizada em Porto Alegre (RS). O procedimento implantou eletrodos diretamente no tronco cerebral do paciente, e os primeiros resultados foram divulgados agora, meses após a intervenção.

O paciente, Flávio Fidelis, de 51 anos, tem uma condição genética rara chamada Neurofibromatose tipo 2 (NF2), que comprometeu seus nervos auditivos e o deixou sem audição em ambos os ouvidos desde os 29 anos. A cirurgia foi realizada em março, no Hospital Moinhos de Vento, e a ativação do implante aconteceu recentemente. “Fui diagnosticado com deficiência auditiva bilateral e fui perdendo a audição aos poucos, já adulto. Esse implante representa um objetivo de vida alcançado, uma batalha vencida. Agradeço a toda equipe médica que tornou isso possível”, declarou Flávio, emocionado.

Entenda a condição do paciente

 

A NF2 é uma doença genética autossômica rara que causa o crescimento lento de tumores benignos ao redor do sistema nervoso central. Esses tumores pressionam o tronco encefálico e os nervos auditivos, afetando gravemente a audição e o equilíbrio.

De acordo com a Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, a condição costuma se manifestar na adolescência ou no início da fase adulta, e afeta cerca de 1 em cada 35 mil pessoas.

O otorrinolaringologista Joel Lavinsky, responsável pela cirurgia, explicou que um implante coclear tradicional não era viável no caso de Flávio, já que os nervos auditivos estavam severamente comprometidos. A alternativa foi implantar eletrodos diretamente nos núcleos auditivos do tronco cerebral — uma técnica ainda pouco comum no Brasil.

Equipe multidisciplinar e apoio de universidades

 

A cirurgia contou com uma equipe especializada. Além do Dr. Lavinsky, participaram o neurocirurgião Gustavo Rassier Isolan e a fonoaudióloga Natalia Fernandez, junto de uma equipe de audiologistas. Também colaboraram três especialistas da Universidade de São Paulo (USP): Ricardo Ferreira Bento, Marcelo Prudente e Valéria Goffi, que supervisionaram as etapas do procedimento.

Implante inédito e cirurgia de 10 horas

 

O procedimento completo — cirurgia e testes pós-operatórios — durou cerca de 10 horas. Durante a operação, os médicos realizaram testes eletrofisiológicos para localizar com precisão o ponto ideal para implantar os eletrodos e confirmar que a estimulação elétrica estava funcionando corretamente. “Conseguimos estimular o tronco cerebral com sucesso, o que permite ao paciente voltar a perceber sons, mesmo que de forma parcial neste início”, explicou o Dr. Lavinsky.

Novas possibilidades de vida

 

Desde a ativação do dispositivo, Flávio tem experimentado melhorias significativas em sua qualidade de vida. Ainda em fase de adaptação e ajustes finos do aparelho, ele já consegue distinguir ruídos e identificar diferentes tipos de som.

A evolução é considerada promissora tanto na vida pessoal quanto profissional do paciente, que passou duas décadas em completo silêncio.

Essa conquista representa não apenas um recomeço para Flávio, mas também um avanço para a ciência brasileira, abrindo portas para outros pacientes com casos semelhantes que, até então, não tinham alternativas viáveis de tratamento auditivo.

Imagens da cirurgia que implantou o dispositivo para o paciente surdo voltar a escutar. — Foto: Divulgação/CEANNE
Imagens da cirurgia que implantou o dispositivo e o paciente surdo volta a escutar. — Foto: Divulgação/CEANNE
A equipe multidisciplinar que participou da cirurgia que fez o homem surdo voltar a escutar. — Foto: Divulgação/Hospital Moinhos de Vento
A equipe multidisciplinar que participou da cirurgia que fez o homem surdo voltar a escutar. — Foto: Divulgação/Hospital Moinhos de Vento
Fonte: Só notícia boa
Foto: Divulgação/ Hospital Moinhos de Vento
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