Uma história de superação, fé e avanço da medicina brasileira emocionou profissionais de saúde e familiares: a pequena Ester Xavier venceu um grave problema cardíaco logo nos primeiros dias de vida e hoje está em casa, saudável, ao lado da família.
Nascida em janeiro, Ester parecia bem, precisando apenas de fototerapia por conta de icterícia. No entanto, durante uma avaliação de rotina, os médicos identificaram uma condição congênita séria no coração chamada persistência do canal arterial (PCA) um problema que impede o fechamento de uma estrutura essencial após o nascimento, comprometendo a circulação sanguínea.
O diagnóstico foi um choque para os pais. “Foi um baque. A gente não esperava”, relembrou a mãe, Bárbara Xavier. A situação se agravou rapidamente, e a recém-nascida precisou ser intubada, evidenciando a urgência do caso.
Diante da fragilidade da bebê, que não poderia ser transportada sem riscos, a equipe do Hospital Brasiliense tomou uma decisão ousada e inovadora: realizar uma cirurgia cardíaca à beira-leito, diretamente na UTI neonatal algo inédito em recém-nascidos no país.
O procedimento, minimamente invasivo e guiado por ultrassom, foi realizado no dia 18 de fevereiro por uma equipe multidisciplinar altamente especializada. Sem a necessidade de abrir o tórax, os médicos acessaram o canal arterial por uma pequena incisão lateral e conseguiram corrigir o problema com precisão.
“É um trabalho extremamente delicado, quase artesanal”, explicou a médica Roberta Lengruber, coordenadora da UTI pediátrica e neonatal. “Mas era a melhor chance de salvar a vida da Ester.”
E deu certo. Apenas 24 horas após a cirurgia, os exames já mostravam uma melhora significativa na circulação e na função cardíaca da bebê. A recuperação foi gradual, exigindo paciência e dedicação, mas cada pequeno avanço era motivo de comemoração.
Ao todo, Ester passou 52 dias internada. Durante esse período, a mãe permaneceu praticamente o tempo todo ao seu lado, enfrentando a difícil rotina hospitalar enquanto cuidava, à distância, dos outros dois filhos.
Finalmente, no dia 26 de março, veio a tão esperada alta. Ester deixou o hospital nos braços dos pais, cercada de emoção e gratidão. “Parece um milagre”, disse a mãe. “A gente viveu um dia de cada vez, e agora ela está aqui, com a gente.”
O caso reforça não apenas a força da família, mas também o avanço da medicina brasileira. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30 mil crianças nascem com cardiopatias congênitas todos os anos no Brasil, e muitas precisam de cirurgia ainda no primeiro ano de vida.
A realização de uma cirurgia cardíaca à beira-leito em um recém-nascido abre novas possibilidades de tratamento, trazendo mais segurança para bebês em estado crítico e esperança para outras famílias.





