Ciência encontra novo caminho para recuperar força muscular perdida com o envelhecimento

Redação Notícia Boa Bahia
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Descoberta pode abrir caminho para novos tratamentos contra a sarcopenia e ajudar idosos a recuperar força para atividades do dia a dia

Uma descoberta da ciência traz uma nova esperança para milhões de pessoas que enfrentam a perda de força muscular durante o envelhecimento. Pesquisadores da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, identificaram um possível mecanismo por trás da fraqueza e conseguiram, em testes com animais, aumentar a força muscular em até 14,4%.

O estudo investiga a sarcopenia, condição relacionada à perda de massa e, principalmente, de força muscular que pode tornar tarefas simples  como caminhar, subir escadas ou levantar da cadeira  mais difíceis com o passar dos anos.

A pesquisa foi publicada no Journal of Clinical Investigation e aponta para um caminho diferente do tradicional na busca por tratamentos.

O problema pode estar na comunicação entre nervos e músculos

 

 

Durante muito tempo, os cientistas associaram a perda de força na velhice principalmente à redução da massa muscular e à perda de neurônios que comandam os músculos.

O novo estudo mostra que existe outro fator importante: a comunicação entre os nervos e os músculos.

É nessa região de conexão que o nervo envia ao músculo o sinal necessário para que ele se contraia. Ao analisar pessoas com idade média próxima de 86 anos, os pesquisadores observaram que, quanto maior era a falha nessa transmissão de sinais, menor tendia a ser a força muscular.

A descoberta ajuda a explicar por que simplesmente olhar para a quantidade de músculo não conta toda a história da perda de força durante o envelhecimento.

Cientistas conseguiram melhorar a comunicação

 

Depois de identificar o problema, os pesquisadores quiseram saber se essa falha poderia ser revertida.

Nos experimentos com animais idosos, eles bloquearam parcialmente uma proteína chamada ClC-1, responsável por ajudar a controlar a atividade elétrica dos músculos.

O resultado foi animador: os músculos passaram a responder melhor aos comandos enviados pelos nervos e ficaram mais fortes.

Em um dos experimentos, ratos idosos apresentaram aumento de 14,4% na força muscular após receberem o composto experimental. Em outro teste, a força de preensão aumentou 11,2% depois de alguns dias de tratamento.

“Mostramos que essa falha é potencialmente reversível”, explicou W. David Arnold, professor da Universidade do Missouri e um dos pesquisadores responsáveis pelo trabalho.

Descoberta pode acelerar a busca por um tratamento

 

Um dos aspectos mais interessantes da pesquisa é que o mecanismo estudado já está sendo investigado em seres humanos.

Existe um medicamento experimental chamado ignaseclant, desenvolvido pela empresa dinamarquesa NMD Pharma, que também atua sobre a proteína ClC-1. O composto já foi estudado em pessoas com doenças neuromusculares.

Em um estudo de fase 2a com pacientes com doença de Charcot-Marie-Tooth, foram observadas melhorias em diferentes medidas relacionadas à força e à função muscular. O medicamento, porém, não alcançou diferença no objetivo principal do estudo, que era o teste de caminhada de seis minutos.

A possibilidade de utilizar esse mesmo mecanismo contra a sarcopenia ainda precisa ser investigada.

Próximo passo é testar a estratégia em idosos

 

Os resultados representam uma perspectiva promissora, mas ainda não significam que exista um tratamento disponível para recuperar a força muscular perdida com o envelhecimento.

Até agora, o aumento de força provocado pelo bloqueio da ClC-1 foi demonstrado em animais. O estudo com seres humanos identificou a relação entre a falha na comunicação neuromuscular e a perda de força, mas não testou esse tratamento contra a sarcopenia em idosos.

O próximo passo será descobrir se a estratégia pode funcionar de maneira segura e eficaz em pessoas mais velhas.

Se os próximos estudos confirmarem os resultados, a descoberta poderá abrir uma nova frente de pesquisa para ajudar idosos a preservar ou recuperar força muscular e, consequentemente, manter por mais tempo sua independência e capacidade de realizar atividades do cotidiano.

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