As jovens desenvolveram pesquisas voltadas a desafios reais da sociedade: melhorar a qualidade do solo em regiões afetadas pela seca e estimular a memória de pessoas idosas. Os projetos foram premiados na ExpoAurora de Luque 2026, que reuniu 450 trabalhos científicos e participantes de nove países da América Central e da América do Sul.
A conquista foi divulgada pela Secretaria de Estado da Educação de Sergipe e ganhou ainda mais destaque porque a escola das estudantes foi a única instituição pública brasileira participante do evento.
Jovens cientistas criam solução para o semiárido
A estudante Mirely Borges Andrade conquistou o primeiro lugar com o projeto BioChar, uma pesquisa que busca transformar papel em biocarvão para ajudar a melhorar as condições do solo.
A ideia surgiu diante de um desafio conhecido por agricultores do semiárido sergipano: manter a produtividade das plantações em regiões onde a escassez de água e a perda de nutrientes dificultam o cultivo. O biocarvão estudado pela jovem pode ser incorporado ao solo para favorecer a retenção de água e o aproveitamento de nutrientes. Nos testes realizados na escola, o material foi combinado com adubo produzido pelos próprios estudantes, e a equipe observou resultados promissores.
A proposta une criatividade, sustentabilidade e conhecimento científico para investigar alternativas que possam contribuir com a agricultura em regiões afetadas pela seca. Com o reconhecimento internacional, o BioChar conquistou credenciamento para participar de uma feira científica em Dubai, ampliando as oportunidades para que a pesquisa seja conhecida por outros estudantes e pesquisadores.
Jogos e lembranças para estimular a memória dos idosos
O segundo primeiro lugar ficou com o Mentes Vivas, projeto desenvolvido por Clarice Souza Santos, Mariana Cardoso Santana e Witila Oliveira dos Santos.
A iniciativa utiliza jogos, atividades práticas e lembranças da infância para estimular a memória, a aprendizagem e a convivência entre pessoas idosas.
Durante aproximadamente um ano de desenvolvimento, as estudantes organizaram atividades que também valorizam as histórias de vida e as experiências dos participantes.
Os experimentos envolveram cerca de 25 alunos de duas turmas da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai), em uma escola municipal.
Além de investigar formas de estimular as habilidades cognitivas, o projeto destaca a importância de valorizar a trajetória de cada pessoa e promover momentos de interação entre os participantes.
O trabalho também conquistou uma oportunidade internacional: as estudantes poderão apresentar os resultados da pesquisa em Houston, nos Estados Unidos, em 2027.
Da escola pública para o mundo
As pesquisas foram orientadas pelos professores Adnoã Gomes da Cruz, de Geografia, e Cícero Clácio dos Santos, de Ciências e Matemática, com apoio de programas sergipanos de incentivo à pesquisa e à educação.
Para Mirely, representar sua escola em uma feira internacional foi uma experiência marcante.
“Foi uma honra poder representar minha escola e levar o nosso projeto tão longe”, contou a estudante à Secretaria de Educação.
Witila também destacou o aprendizado proporcionado pela viagem, incluindo o contato com novas culturas, a oportunidade de praticar outro idioma e a criação de amizades.
A participação na feira permitiu que as jovens compartilhassem suas ideias com estudantes e pesquisadores de diferentes países, mostrando que a ciência pode nascer de observações simples do cotidiano e se transformar em projetos com potencial para contribuir com a sociedade.
Ciência, educação e oportunidades que transformam
A conquista das quatro sergipanas vai além dos troféus. Os projetos demonstram como estudantes da rede pública podem desenvolver pesquisas relevantes quando encontram orientação, incentivo e oportunidades para explorar a própria criatividade.
De um lado, o BioChar investiga alternativas sustentáveis para enfrentar dificuldades da agricultura no semiárido. Do outro, o Mentes Vivas busca valorizar a memória, a aprendizagem e a convivência das pessoas idosas.
São ideias diferentes, mas que compartilham o mesmo propósito: utilizar o conhecimento para melhorar a vida das pessoas.
Agora, as jovens cientistas levam o talento sergipano para novos palcos internacionais, com oportunidades em Dubai e nos Estados Unidos.

