Alunas de escola pública de Sergipe conquistam dois primeiros lugares em feira internacional de ciência

Redação Notícia Boa Bahia
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Divulgação/Seed-SE.
A educação pública brasileira acaba de conquistar mais um motivo para se orgulhar! Quatro estudantes do Colégio Estadual José Inácio de Farias, em Monte Alegre de Sergipe (SE), conquistaram dois primeiros lugares em uma feira internacional de ciência realizada em Luque, no Paraguai.

As jovens desenvolveram pesquisas voltadas a desafios reais da sociedade: melhorar a qualidade do solo em regiões afetadas pela seca e estimular a memória de pessoas idosas. Os projetos foram premiados na ExpoAurora de Luque 2026, que reuniu 450 trabalhos científicos e participantes de nove países da América Central e da América do Sul.

 

A conquista foi divulgada pela Secretaria de Estado da Educação de Sergipe e ganhou ainda mais destaque porque a escola das estudantes foi a única instituição pública brasileira participante do evento.

 

Jovens cientistas criam solução para o semiárido

A estudante Mirely Borges Andrade conquistou o primeiro lugar com o projeto BioChar, uma pesquisa que busca transformar papel em biocarvão para ajudar a melhorar as condições do solo.

 

A ideia surgiu diante de um desafio conhecido por agricultores do semiárido sergipano: manter a produtividade das plantações em regiões onde a escassez de água e a perda de nutrientes dificultam o cultivo. O biocarvão estudado pela jovem pode ser incorporado ao solo para favorecer a retenção de água e o aproveitamento de nutrientes. Nos testes realizados na escola, o material foi combinado com adubo produzido pelos próprios estudantes, e a equipe observou resultados promissores.

 

A proposta une criatividade, sustentabilidade e conhecimento científico para investigar alternativas que possam contribuir com a agricultura em regiões afetadas pela seca. Com o reconhecimento internacional, o BioChar conquistou credenciamento para participar de uma feira científica em Dubai, ampliando as oportunidades para que a pesquisa seja conhecida por outros estudantes e pesquisadores.

 

Jogos e lembranças para estimular a memória dos idosos

O segundo primeiro lugar ficou com o Mentes Vivas, projeto desenvolvido por Clarice Souza Santos, Mariana Cardoso Santana e Witila Oliveira dos Santos.

A iniciativa utiliza jogos, atividades práticas e lembranças da infância para estimular a memória, a aprendizagem e a convivência entre pessoas idosas.

Durante aproximadamente um ano de desenvolvimento, as estudantes organizaram atividades que também valorizam as histórias de vida e as experiências dos participantes.

Os experimentos envolveram cerca de 25 alunos de duas turmas da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai), em uma escola municipal.

Além de investigar formas de estimular as habilidades cognitivas, o projeto destaca a importância de valorizar a trajetória de cada pessoa e promover momentos de interação entre os participantes.

O trabalho também conquistou uma oportunidade internacional: as estudantes poderão apresentar os resultados da pesquisa em Houston, nos Estados Unidos, em 2027.

Da escola pública para o mundo

As pesquisas foram orientadas pelos professores Adnoã Gomes da Cruz, de Geografia, e Cícero Clácio dos Santos, de Ciências e Matemática, com apoio de programas sergipanos de incentivo à pesquisa e à educação.

Para Mirely, representar sua escola em uma feira internacional foi uma experiência marcante.

“Foi uma honra poder representar minha escola e levar o nosso projeto tão longe”, contou a estudante à Secretaria de Educação.

Witila também destacou o aprendizado proporcionado pela viagem, incluindo o contato com novas culturas, a oportunidade de praticar outro idioma e a criação de amizades.

A participação na feira permitiu que as jovens compartilhassem suas ideias com estudantes e pesquisadores de diferentes países, mostrando que a ciência pode nascer de observações simples do cotidiano e se transformar em projetos com potencial para contribuir com a sociedade.

Ciência, educação e oportunidades que transformam

A conquista das quatro sergipanas vai além dos troféus. Os projetos demonstram como estudantes da rede pública podem desenvolver pesquisas relevantes quando encontram orientação, incentivo e oportunidades para explorar a própria criatividade.

De um lado, o BioChar investiga alternativas sustentáveis para enfrentar dificuldades da agricultura no semiárido. Do outro, o Mentes Vivas busca valorizar a memória, a aprendizagem e a convivência das pessoas idosas.

São ideias diferentes, mas que compartilham o mesmo propósito: utilizar o conhecimento para melhorar a vida das pessoas.

Agora, as jovens cientistas levam o talento sergipano para novos palcos internacionais, com oportunidades em Dubai e nos Estados Unidos.

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