Levantamento do IBGE aponta queda de 28,6% entre 2016 e 2025 e registra o menor número da série histórica; políticas de proteção social aparecem como parte importante desse avanço
O Brasil alcançou um avanço importante na proteção da infância e da adolescência: cerca de 600 mil crianças e adolescentes deixaram a situação de trabalho infantil nos últimos nove anos. A redução foi de 28,6% entre 2016 e 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados na sexta-feira (16).
O resultado representa o menor número registrado desde o início da série histórica, em 2016, e reforça a importância das políticas públicas de combate à pobreza, proteção social e garantia do direito à educação.
De acordo com o levantamento, o país passou de aproximadamente 2,1 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos em situação de trabalho infantil, em 2016, para 1,499 milhão em 2025. A proporção desse grupo na população da mesma faixa etária também caiu, de 5,2% para 4%.
Embora o desafio ainda seja grande, os números mostram que o país avançou na construção de condições mais favoráveis para que crianças e adolescentes possam dedicar mais tempo aos estudos, ao lazer e ao desenvolvimento.
Bolsa Família se destaca na redução
Um dos dados que chamam a atenção no levantamento é a redução observada entre famílias beneficiárias do Bolsa Família.
Entre 2024 e 2025, o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil nesse grupo caiu de 717 mil para 573 mil, uma redução de 20,1%.
No mesmo período, o Brasil registrou uma diminuição de 151 mil pessoas nessa condição em todo o país. Desse total, 144 mil pertenciam a famílias beneficiadas pelo programa, o equivalente a mais de 95% da redução nacional.
A proporção de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil entre as famílias atendidas pelo Bolsa Família também diminuiu: passou de 7,3%, em 2016, para 4,4%, em 2025.
Os resultados são compatíveis com a importância das políticas de transferência de renda na proteção de famílias em situação de vulnerabilidade, contribuindo para enfrentar dificuldades econômicas que podem levar crianças e adolescentes ao trabalho precoce.
Menos crianças em atividades perigosas
Outro avanço importante foi a redução do número de crianças e adolescentes submetidos às piores formas de trabalho infantil, que incluem atividades perigosas, insalubres ou prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento.
Em 2025, esse contingente chegou a 525 mil pessoas de 5 a 17 anos, o menor patamar registrado desde 2016.
O dado reforça a importância das ações de fiscalização, prevenção e proteção social para afastar crianças e adolescentes de atividades que colocam em risco sua integridade física e emocional.
Avanços em todas as faixas etárias
A pesquisa do IBGE também identificou os menores percentuais de trabalho infantil da série histórica em todas as faixas etárias analisadas.
Apesar disso, a situação dos adolescentes de 16 e 17 anos continua exigindo atenção. Em 2025, 14,5% desse grupo estava em situação de trabalho infantil.
Os reflexos também aparecem na educação: entre os adolescentes dessa idade submetidos ao trabalho infantil, 79,6% frequentavam a escola, enquanto a taxa era de 89,6% entre o conjunto da população da mesma faixa etária.
Os números reforçam a necessidade de ampliar oportunidades educacionais e garantir condições para que os jovens permaneçam na escola e construam um futuro com mais possibilidades.
Um país que avança, mas precisa continuar
Regionalmente, o Sudeste concentrava o maior número absoluto de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em 2025, com 481 mil, seguido pelo Nordeste, com 408 mil. Proporcionalmente, o Norte apresentava o maior índice, de 6,3%, enquanto o Sudeste registrava 3,3%.
Essas diferenças mostram que o enfrentamento do problema precisa considerar as particularidades econômicas e sociais de cada região.
A redução registrada ao longo dos últimos nove anos é uma notícia positiva para o Brasil e evidencia que políticas de proteção social, fiscalização e acesso à educação são fundamentais para combater a exploração infantil.
Ainda há cerca de 1,5 milhão de crianças e adolescentes nessa situação, o que torna indispensável dar continuidade aos esforços.


