Cientistas descobrem como ajudar o organismo a eliminar células “zumbis” ligadas ao envelhecimento

Redação Notícia Boa Bahia
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stevepb / Pixabay
Estudo identifica por que células envelhecidas se acumulam no organismo e aponta um possível caminho para melhorar a capacidade natural de limpeza do corpo

Uma descoberta feita por cientistas dos Estados Unidos pode ajudar a compreender melhor um dos processos associados ao envelhecimento. Pesquisadores do Albert Einstein College of Medicine identificaram por que as chamadas “células zumbis” tendem a se acumular no organismo com o passar dos anos e encontraram uma maneira de melhorar, em animais, a capacidade do corpo de eliminá-las.

O estudo foi publicado na revista científica Nature Aging e investigou um mecanismo natural responsável pela limpeza e reciclagem dentro das células.

Os resultados são promissores porque apontam para uma possível estratégia de combate ao acúmulo dessas células, que está associado à inflamação e ao envelhecimento dos tecidos. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que os experimentos foram realizados em camundongos e que os resultados não significam, neste momento, a existência de um tratamento disponível para pessoas.

O que são as células “zumbis”?

 

Apesar do apelido curioso, as chamadas células “zumbis” são conhecidas pela ciência como células senescentes. São células que envelheceram ou sofreram algum tipo de dano e, por isso, deixam de se dividir. O problema é que elas não necessariamente morrem e desaparecem do organismo. Algumas permanecem nos tecidos e podem liberar moléculas que provocam inflamação ao redor.

Com o envelhecimento, essas células podem se acumular em diferentes partes do corpo. Esse processo tem sido associado à deterioração dos tecidos e a diversas condições relacionadas à idade. Por isso, entender como o organismo reconhece e elimina essas células é uma área importante da pesquisa sobre envelhecimento.

O sistema de limpeza que perde força

 

O novo estudo concentrou-se em um mecanismo celular chamado autofagia mediada por chaperonas, conhecido pela sigla CMA. O sistema funciona como uma espécie de serviço interno de manutenção: ajuda a identificar determinadas proteínas que precisam ser removidas e encaminha esse material para degradação e reciclagem.

Os pesquisadores descobriram que esse mecanismo perde eficiência à medida que as células envelhecem. Mas há um segundo problema. A diminuição da atividade também acontece em determinadas células do sistema imunológico que participam da identificação e eliminação das células senescentes.

Isso cria uma espécie de círculo vicioso: as células envelhecidas ficam mais resistentes à eliminação, enquanto as células de defesa responsáveis por removê-las também perdem parte da eficiência.

Cientistas conseguem melhorar a “limpeza”

 

A descoberta mais animadora veio dos experimentos realizados em camundongos. Ao aumentar a atividade do sistema CMA, os pesquisadores conseguiram melhorar a capacidade de determinadas células do sistema imunológico de reconhecer e eliminar células senescentes. Os resultados indicam que recuperar parte desse mecanismo de limpeza pode ser uma estratégia promissora para reduzir o acúmulo das chamadas células “zumbis”.

A possibilidade é especialmente interessante porque, em vez de simplesmente tentar destruir diretamente as células senescentes, a estratégia busca fortalecer mecanismos que o próprio organismo já utiliza para fazer essa limpeza.

Uma nova pista para pesquisas sobre envelhecimento

 

A descoberta não significa que seja possível, atualmente, eliminar células “zumbis” do corpo humano com um medicamento ou procedimento baseado nesse mecanismo. Antes de qualquer aplicação clínica, serão necessários novos estudos para entender como o processo funciona em seres humanos, avaliar sua segurança e descobrir se os benefícios observados nos animais também podem ser reproduzidos em pessoas.

Mesmo assim, os resultados acrescentam uma peça importante ao quebra-cabeça do envelhecimento.Ao revelar que tanto as células senescentes quanto parte do sistema imunológico responsável por eliminá-las sofrem alterações no funcionamento do CMA, os cientistas identificaram um possível ponto de intervenção.

A pesquisa abre, assim, uma nova frente para estudos que buscam compreender o envelhecimento e, no futuro, desenvolver estratégias capazes de preservar a saúde dos tecidos por mais tempo.

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