Pesquisadores da China e dos Estados Unidos deram um passo importante na luta contra o câncer ao identificar por que células essenciais do sistema imunológico perdem força após combater tumores por longos períodos. O estudo, publicado em duas revistas científicas internacionais, traz novas perspectivas para tornar tratamentos como a imunoterapia ainda mais eficazes.
O foco da pesquisa foram as células T CD8+, responsáveis por reconhecer e destruir células tumorais. Embora desempenhem papel fundamental na defesa do organismo, essas células podem entrar em um estado de “exaustão” quando permanecem estimuladas por muito tempo. Isso reduz sua capacidade de continuar combatendo o câncer de forma eficiente.
Ao investigar o fenômeno, os cientistas identificaram um mecanismo interno que explica esse desgaste. O estímulo constante provocado pelo tumor diminui a atividade da proteína FOXO1, essencial para manter o equilíbrio e o bom funcionamento das células T. Com isso, há queda na produção da enzima KLHL6, que ajuda a eliminar proteínas prejudiciais.
Sem níveis adequados de KLHL6, proteínas associadas ao esgotamento celular, como TOX e PGAM5 se acumulam. Esse acúmulo compromete o metabolismo e a produção de energia das células, tornando-as menos ativas. A boa notícia é que, em testes laboratoriais, o aumento da KLHL6 conseguiu restaurar parte da função dessas células, indicando que o processo pode ser reversível.
A descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Medicamentos capazes de estimular a atividade da KLHL6 ou reproduzir seus efeitos podem reforçar tratamentos já utilizados, como bloqueadores de pontos de controle imunológico e terapias com células CAR-T.



