Estudo aponta cinco estratégias para ampliar a vacinação no Brasil

Redação Notícia Boa Bahia
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Foto: Ilustrativa / Magnific

Pesquisa brasileira analisou 48 revisões sistemáticas e identificou medidas que podem facilitar o acesso às vacinas, combater a desinformação e fortalecer a confiança da população na imunização.

Aumentar a vacinação no Brasil exige mais do que combater notícias falsas e convencer quem tem receio de tomar vacinas. Ampliar os horários de atendimento, facilitar o acesso aos postos e melhorar a comunicação entre profissionais de saúde e população também são medidas importantes para incentivar a imunização. É o que aponta um estudo brasileiro publicado na segunda-feira (12) na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do SUS (RESS).

A pesquisa reuniu evidências internacionais de 48 revisões sistemáticas e identificou cinco frentes de atuação para enfrentar a hesitação vacinal. Entre elas estão a adaptação da comunicação a diferentes públicos, a capacitação contínua dos profissionais de saúde, a ampliação do acesso às vacinas, o combate à desinformação e o desenvolvimento de estratégias específicas para a vacinação de gestantes.

De acordo com os pesquisadores, a decisão de se vacinar é influenciada por diferentes fatores, que vão desde questões culturais e socioeconômicas até dificuldades práticas do dia a dia. Por isso, nem todas as pessoas que estão com as doses atrasadas optaram conscientemente por não se imunizar.

“A hesitação vacinal não tem uma única causa. Ela resulta de fatores culturais, sociais, econômicos e informacionais que se relacionam entre si”, explica Ana Paula da Costa Marques, professora de Microbiologia do Instituto de Biociências da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e primeira autora do artigo.

Acesso facilitado pode aumentar a adesão

Entre as medidas apontadas pelo levantamento estão a ampliação dos horários de funcionamento das salas de vacinação e a oferta de doses em locais de trabalho, unidades móveis e outros espaços, além dos serviços tradicionais de saúde.

A proposta é reduzir obstáculos que dificultam a imunização, especialmente para quem enfrenta uma rotina corrida ou vive em regiões com acesso limitado aos serviços de saúde.

Outra estratégia é aproveitar as consultas médicas e de enfermagem para orientar os pacientes sobre a importância das vacinas e verificar se o calendário de imunização está atualizado.

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No caso das gestantes, os pesquisadores destacam a importância de aproveitar as consultas de pré-natal para conferir a situação vacinal e, sempre que possível, oferecer a dose indicada no mesmo dia.

Segundo Sandra Leone, da Fiocruz Mato Grosso do Sul e coordenadora do projeto, mudanças na organização do atendimento podem contribuir para reduzir barreiras e ampliar a adesão à vacinação.

Comunicação e combate à desinformação

O estudo também destaca que combinar diferentes estratégias tende a apresentar resultados mais positivos. Para fortalecer a confiança nas vacinas, os pesquisadores apontam a importância de oferecer informações claras, combater conteúdos falsos e preparar os profissionais de saúde para conversar com a população de maneira segura e acessível.

A comunicação também precisa considerar as particularidades de cada grupo. Gestantes, pessoas negras, minorias étnicas, refugiados, migrantes, pessoas com doenças crônicas e moradores de áreas de maior vulnerabilidade socioeconômica podem enfrentar desafios específicos para acessar os serviços de imunização.

Nesse cenário, ações adaptadas às necessidades de cada comunidade podem contribuir para tornar a vacinação mais acessível e ampliar a proteção coletiva.

Estratégias precisam considerar a realidade de cada região

Embora as evidências internacionais ajudem a identificar caminhos para aumentar a cobertura vacinal, os pesquisadores ressaltam que as medidas precisam ser adaptadas às diferentes realidades brasileiras.

Fatores como local de residência, escolaridade, ocupação, gênero e condição socioeconômica podem influenciar tanto o acesso às vacinas quanto a forma como as informações sobre imunização são recebidas.

Para Ana Paula da Costa Marques, o desafio é transformar o conhecimento científico em ações efetivas nos territórios, respeitando as necessidades de cada população.

A pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Núcleo de Evidências Pantanal, da Fiocruz Mato Grosso do Sul, com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde. O trabalho também contou com apoio da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), da UFMS, da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e da Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande (Sesau-MS).

Como parte da iniciativa, foram produzidos um mapa interativo de evidências, vídeos e outros materiais para apoiar gestores públicos e informar a população sobre estratégias de incentivo à vacinação.

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