Mais de 2 milhões de brasileiros já começaram a receber de volta valores descontados indevidamente de seus benefícios do INSS. O governo federal anunciou a devolução de R$ 1,29 bilhão a aposentados e pensionistas, como parte de um acordo firmado para reparar prejuízos causados por cobranças associativas não autorizadas. De acordo com o Ministério da Previdência Social, aproximadamente sete em cada dez beneficiários com direito ao ressarcimento já receberam os valores. O pagamento ocorre de forma rápida: quem aceita o acordo pode ter o valor depositado em até três dias úteis na conta onde recebe o benefício mensal.
O ministro da Previdência, Wolney Queiroz, destacou que o processo está sendo feito sem burocracia e sem custos para os aposentados. O prazo para adesão vai até 15 de novembro e pode ser feito tanto pelo aplicativo Meu INSS quanto presencialmente nas agências dos Correios, que têm tido papel fundamental no atendimento. Até o momento, 99% dos beneficiários que aderiram ao acordo já receberam o valor de volta.
Têm direito à devolução os segurados que sofreram descontos indevidos entre março de 2020 e março de 2025 e que contestaram os valores junto às associações responsáveis, sem obter resposta em até 15 dias úteis. Um dado que surpreendeu o governo foi o número de adesões feitas presencialmente: cerca de 30% dos pedidos foram realizados em agências dos Correios, muito acima da previsão inicial, que era de 1% a 2%. Segundo o ministro, o dado reforça a necessidade de manter canais presenciais de atendimento, especialmente para o público idoso.
Enquanto as devoluções avançam, as investigações continuam. A Polícia Federal já realizou operações e prisões de suspeitos de envolvimento no esquema dos descontos ilegais, com autorização do Supremo Tribunal Federal. Para garantir recursos suficientes para os pagamentos, o governo encaminhou ao Congresso uma Medida Provisória que abre crédito extraordinário de R$ 3,3 bilhões. “Essas pessoas foram lesadas, e o presidente pediu que fôssemos até as últimas consequências. As investigações seguem, mas o mais urgente era devolver o dinheiro a quem mais precisa”, afirmou o ministro Queiroz.



