Uma pesquisa liderada por cientistas da Mayo Clinic, em parceria com outras instituições, revelou que a inteligência artificial (IA) pode representar um importante avanço no diagnóstico e tratamento dos meningiomas, o tipo mais comum de tumor cerebral primário em adultos. O estudo foi publicado na revista The Lancet Digital Health.
A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores é capaz de analisar lâminas histopatológicas obtidas em exames de rotina para identificar características do tumor e estimar o risco de recorrência da doença. A inovação pode ampliar o acesso a informações essenciais para o planejamento do tratamento, reduzindo a necessidade de testes genéticos complexos e de alto custo.
Atualmente, a avaliação mais detalhada dos meningiomas costuma depender do perfil de metilação do DNA, um exame altamente preciso, mas que exige tecnologia especializada e nem sempre está disponível em todos os hospitais. Com a nova abordagem baseada em IA, essas informações poderão ser obtidas de forma mais ágil e acessível.
Segundo a neurocirurgiã Gelareh Zadeh, chefe do Departamento de Neurocirurgia da Mayo Clinic em Rochester, o estudo demonstra como a integração entre patologia digital, inteligência artificial e conhecimentos genômicos pode transformar o cuidado aos pacientes.
Para desenvolver os modelos, os pesquisadores utilizaram dados clínicos, imagens de patologia e amostras de tecido de 672 pacientes. Os algoritmos conseguiram identificar padrões associados aos diferentes subtipos de meningioma e prever o risco de recorrência da doença com base em exames já realizados na rotina hospitalar.
Os resultados também mostraram que a IA foi capaz de reconhecer diferenças dentro de um mesmo tumor, informações que podem ajudar os médicos a compreender por que alguns casos apresentam comportamento mais agressivo ou respondem de maneira diferente aos tratamentos.
De acordo com os autores, ferramentas como essa têm potencial para apoiar decisões importantes, como a necessidade de radioterapia após a cirurgia, além de orientar a frequência do acompanhamento e dos exames de imagem.
Embora sejam necessárias novas etapas de validação antes da adoção na prática clínica, os pesquisadores acreditam que a tecnologia representa um passo importante rumo a uma medicina mais personalizada, eficiente e acessível. A expectativa é que, no futuro, soluções semelhantes possam ser aplicadas também em outros tipos de câncer, ampliando o impacto da inteligência artificial na assistência à saúde.



