Nova tecnologia detecta câncer de pâncreas 3 anos antes do diagnóstico

Redação Notícia Boa Bahia
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Uma pesquisa da Mayo Clinic trouxe uma notícia animadora para a medicina: cientistas desenvolveram uma inteligência artificial capaz de ajudar médicos a identificar sinais de câncer de pâncreas muito antes do diagnóstico tradicional. O estudo, publicado na revista científica Gut, mostrou que o sistema consegue analisar exames de tomografia feitos normalmente em hospitais e detectar alterações discretas que ainda não aparecem de forma visível aos especialistas.

Atualmente, o câncer de pâncreas é considerado um dos mais difíceis de detectar precocemente, porque costuma não apresentar sintomas nas fases iniciais. Segundo o National Cancer Institute, mais de 85% dos pacientes recebem o diagnóstico apenas quando a doença já está avançada, o que reduz bastante as chances de tratamento eficaz.

A tecnologia criada pelos pesquisadores recebeu o nome de REDMOD e utiliza inteligência artificial para analisar centenas de detalhes das imagens, como textura e pequenas mudanças nos tecidos do pâncreas. Essas alterações são tão sutis que muitas vezes passam despercebidas em exames comuns, mas o sistema consegue identificá-las antes mesmo de um tumor aparecer de forma clara.

Os pesquisadores analisaram quase 2 mil exames de tomografia, incluindo casos de pessoas que mais tarde descobriram câncer de pâncreas, apesar de inicialmente terem recebido resultados considerados normais. Segundo o estudo, a inteligência artificial conseguiu identificar 73% desses casos antes do diagnóstico oficial. Em média, os sinais foram encontrados cerca de 16 meses antes da descoberta da doença. Nos exames realizados mais de dois anos antes do diagnóstico, o sistema encontrou quase três vezes mais sinais de câncer do que especialistas analisando as imagens sem ajuda da tecnologia.

Outro resultado importante foi a consistência do sistema em diferentes hospitais e aparelhos de tomografia. De acordo com os pesquisadores, a inteligência artificial manteve resultados semelhantes mesmo utilizando exames feitos em locais distintos, mostrando potencial para funcionar na rotina real de clínicas e hospitais.

Agora, os cientistas vão avançar para uma nova etapa chamada AI-PACED, que acompanhará pacientes de maior risco para entender como a tecnologia pode ajudar médicos no diagnóstico precoce da doença. A pesquisa faz parte de um projeto maior da Mayo Clinic, com apoio do National Institutes of Health, para encontrar doenças antes mesmo do aparecimento dos sintomas.

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