Os primeiros testes clínicos com a proteína polilaminina em pessoas com lesão medular devem começar na primeira semana de abril, segundo anunciou a pesquisadora Tatiana Sampaio durante o evento Ciência por Elas, em São Carlos, São Paulo. A iniciativa marca uma nova fase de uma pesquisa conduzida por quase 30 anos e tem como objetivo inicial avaliar a segurança do tratamento em pacientes que sofreram lesão medular recentemente, antes de avançar para etapas maiores de desenvolvimento clínico.
A pesquisa é liderada por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com o laboratório Cristália, e ao longo dos anos contou com apoio do Ministério da Saúde para consolidar dados científicos. Estudos experimentais anteriores mostraram resultados promissores na recuperação de movimentos após lesões na medula espinhal. Até hoje, 40 pacientes receberam o medicamento de forma compassiva, e alguns voltaram a andar ou recuperaram movimentos e sensibilidade em membros.
A fase 1 do teste clínico, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), terá inicialmente cinco voluntários com idade entre 18 e 72 anos e lesões completas na região torácica da medula, com cirurgia indicada em até 72 horas após o acidente. O estudo avaliará a segurança do medicamento, monitorando todos os efeitos do tratamento, e os primeiros resultados são esperados em aproximadamente um ano. A partir dessa análise, será possível entender se o método poderá ser adaptado para pacientes com lesões antigas.
A polilaminina é formada a partir da combinação de várias moléculas de laminina, uma proteína presente na placenta de diferentes animais, inclusive humanos. Nos estudos, ela tem mostrado potencial para estimular a regeneração de tecidos afetados por lesões medulares.
Antes da autorização para testes em humanos, o projeto passou por rigorosas avaliações científicas e regulatórias, incluindo aprovação ética do Ministério da Saúde em 2023, permitindo que o estudo avançasse para a fase clínica com acompanhamento dos órgãos reguladores. Com a fase 1 prevista para abril, a expectativa é que a pesquisa abra novos caminhos para tratamentos inovadores em lesões medulares, trazendo esperança para pacientes e familiares.



