Uma nova estratégia de tratamento contra um tipo específico de câncer de mama metastático apresentou resultados animadores e pode abrir caminho para alternativas à quimioterapia tradicional. Em um estudo clínico realizado nos Estados Unidos, cerca de 93% das pacientes permaneciam vivas após um acompanhamento mediano de aproximadamente 39 meses.
A pesquisa foi conduzida por cientistas da Icahn School of Medicine at Mount Sinai e faz parte do estudo clínico ASPIRE, de fase 1/2. A combinação avaliada reúne quatro medicamentos já utilizados no tratamento do câncer: anastrozol, palbociclibe, trastuzumabe e pertuzumabe. A proposta é combater o tumor por diferentes mecanismos sem utilizar quimioterapia como tratamento inicial.
97% tiveram benefício nos primeiros meses
Na etapa de avaliação da combinação, 29 pacientes com câncer de mama metastático HR-positivo e HER2-positivo foram acompanhadas. Dessas, 28 apresentaram benefício clínico durante os primeiros seis meses, o equivalente a 97% das participantes.
A mediana de sobrevida sem progressão da doença chegou a 24,9 meses. Isso significa que metade das pacientes permaneceu por pelo menos esse período sem que o câncer avançasse.
O resultado mais expressivo apareceu no acompanhamento de longo prazo: aproximadamente 93% das participantes continuavam vivas após cerca de três anos. A mediana de sobrevida global ainda não havia sido alcançada no momento da análise, indicando que mais da metade das pacientes permanecia viva.
Uma alternativa que busca preservar a qualidade de vida
A combinação foi desenvolvida para atingir diferentes mecanismos relacionados ao crescimento das células tumorais. O anastrozol atua sobre a via hormonal, enquanto o palbociclibe interfere na multiplicação celular. Já trastuzumabe e pertuzumabe são terapias direcionadas ao HER2.
A proposta pode ser especialmente relevante para pacientes que enfrentam dificuldades com a quimioterapia ou que podem se beneficiar de uma abordagem mais direcionada. Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que algumas pacientes poderão, no futuro, contar com uma alternativa inicial sem quimioterapia, caso os achados sejam confirmados em estudos maiores.
Respostas duradouras chamam atenção
O estudo também registrou casos de resposta prolongada. Uma das participantes continua recebendo a combinação há mais de seis anos, um resultado que reforça o potencial da estratégia para manter a doença controlada por períodos prolongados em algumas pacientes. Os efeitos colaterais mais frequentes incluíram redução dos neutrófilos e dos glóbulos brancos, diarreia e anemia. Apenas uma participante interrompeu o tratamento por causa dos efeitos adversos, e não foram registradas mortes relacionadas aos medicamentos durante o estudo.
Próximos estudos serão decisivos
Apesar dos resultados positivos, os pesquisadores ressaltam que a descoberta ainda está em fase de investigação. O estudo envolveu apenas 29 pacientes e não teve um grupo de comparação recebendo o tratamento padrão.
Por isso, os resultados não permitem afirmar que a nova combinação seja superior às terapias atualmente utilizadas. Estudos maiores e randomizados serão necessários para confirmar sua eficácia e determinar quais pacientes podem se beneficiar mais da abordagem.
Ainda assim, a pesquisa representa uma notícia promissora para o tratamento do câncer de mama metastático HR-positivo e HER2-positivo. A possibilidade de controlar a doença com terapias direcionadas e sem quimioterapia convencional como primeira opção pode, se confirmada em novas pesquisas, significar uma importante evolução no cuidado e na qualidade de vida das pacientes.




