Veneno de sapo amazônico revela potencial para criação de novos antibióticos

Redação Notícia Boa Bahia
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agência SP

Pesquisadores do Instituto Butantan descobriram que o veneno do sapo-cururu amazônico (Rhaebo guttatus) contém substâncias com potencial para combater bactérias, abrindo caminho para o desenvolvimento de novos antibióticos. O estudo, publicado na revista científica Toxicon, contou ainda com a colaboração da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e da Fiocruz Rondônia, que forneceu as amostras analisadas.

O trabalho revelou que a secreção do sapo apresenta fragmentos de proteínas com ação antimicrobiana, que podem servir como ponto de partida para pesquisas médicas. Segundo os cientistas, o veneno do animal funciona naturalmente como mecanismo de defesa, protegendo o sapo de predadores e de microrganismos presentes no ambiente, como vírus, fungos e bactérias.

Descobertas surpreendentes

Além dos peptídeos com potencial antibacteriano, os pesquisadores identificaram pela primeira vez em venenos de sapos a proteína BASP1, conhecida por atuar no sistema nervoso de humanos e outros animais. A equipe acredita que essa proteína possa estar relacionada ao funcionamento das glândulas da pele, auxiliando na contração e regeneração após a liberação do veneno.

Outras proteínas presentes no veneno estão ligadas à contração muscular, imunidade e resposta ao estresse, mostrando como a secreção do sapo reúne múltiplas moléculas com efeitos biológicos distintos.

Como o estudo foi feito

Para analisar o veneno, os pesquisadores utilizaram técnicas de proteômica, transformando o veneno em uma solução e separando seus componentes em um espectrômetro de massas, que identifica cada molécula presente. Segundo o pesquisador Daniel Pimenta, além de revelar potenciais compostos para uso médico, o estudo ajuda a entender melhor a biologia do Rhaebo guttatus, ainda pouco conhecida pela ciência.

Curiosidades sobre o sapo

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Pesquisas anteriores mostraram que, quando ameaçado, o sapo-cururu amazônico pode lançar veneno a partir das glândulas atrás dos olhos, um comportamento inédito em anfíbios descrito na literatura científica em 2011.

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