Òrgãos de menino de 13 anos saíram de Mato Grosso do Sul para transplantes em São Paulo e Distrito Federal
O que seria apenas uma tragédia devastadora se transformou em um ato de amor que já está mudando vidas. Gabriel Barrios Pereira, de apenas 13 anos, partiu cedo demais, vítima de um acidente de moto na zona rural de Iguatemi, no interior de Mato Grosso do Sul. Mas sua última ação no mundo foi profundamente generosa: sua família autorizou a doação de quatro órgãos, levando esperança a pessoas em estado crítico em diferentes regiões do país.
O acidente aconteceu na quarta-feira (9). Gabriel pilotava uma motocicleta quando colidiu contra uma árvore. Levado ao Hospital da Vida, em Dourados, teve a morte cerebral confirmada no dia seguinte. Diante do luto repentino, a família encontrou forças para dizer “sim” à doação de órgãos um gesto que emociona até os profissionais acostumados com essa difícil rotina.
“É um gesto muito lindo. Tem outras famílias felizes neste momento, porque o Gabriel deu essa chance”, disse, com voz embargada, a prima Lucelia Machado. Abalados, os pais e demais parentes preferiram não se pronunciar publicamente.

Um coração que ainda bate
A operação de captação foi realizada na manhã de quinta-feira (10) pela equipe da OPO (Organização de Procura de Órgãos). O coração de Gabriel agora bate em um novo peito, em um hospital do Distrito Federal. Um de seus rins foi destinado a um paciente do próprio estado, enquanto o outro rim e as córneas foram enviados para São Paulo, onde também farão diferença entre a vida e a morte.
“É uma família linda, de uma nobreza sem limites”, disse emocionada Ludelça Dorneles, coordenadora da OPO. Ela acompanhou de perto todo o processo, desde o consentimento da família até a logística da transferência dos órgãos.
Do luto à esperança
A missão de salvar vidas só foi possível graças à recente reabertura do Aeroporto Regional de Dourados. Interditado desde 2021, o terminal teve suas pistas regularizadas, permitindo que um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) transportasse o coração de Gabriel com urgência até Brasília. Órgãos como o coração precisam ser transplantados em poucas horas após a retirada uma corrida contra o tempo que só se vence com estrutura e cooperação.
A escolha mais difícil e mais bonita
Mesmo que uma pessoa manifeste em vida o desejo de ser doadora, é a família quem toma a decisão final. A Lei Federal nº 10.211/2001 determina que a doação só ocorre com autorização familiar — algo que nem sempre é possível em momentos de dor extrema. Mas os familiares de Gabriel, mesmo despedaçados, escolheram dar sentido à perda.
“Esperamos que esse gesto inspire outras famílias. A dor não desaparece, mas o amor que Gabriel deixou muda tudo”, declarou Ludelça.
A escola onde Gabriel estudava também se manifestou com pesar nas redes sociais, lembrando de sua alegria e do carinho com que tratava colegas e professores.
Agora, esse mesmo carinho permanece vivo em quatro outras pessoas — uma prova de que, mesmo diante do adeus, o amor pode continuar pulsando.
Fonte: Campo Grande News
Foto: Divulgação/Prefeitura de Dourados)




