Brasileiro adota três irmãos para manter família unida e se torna pai solo de cinco filhos

Redação Notícia Boa Bahia
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Francisco Luis Koch, de 48 anos, morador de São José, na Grande Florianópolis (SC), sempre sonhou em ser pai. O que ele talvez não imaginasse é que um dia criaria sozinho cinco filhos – todos adotados. Um desafio imenso para quem antes levava uma vida tranquila e centrada em si mesmo.

Mesmo enfrentando preconceitos por ser homossexual, Francisco provou que o amor verdadeiro não conhece barreiras. “Foi uma das atitudes mais corajosas e contrarracionais que eu já tomei na vida”, revelou ele, hoje pai de crianças e adolescentes com idades entre 9 e 16 anos.

O sonho da paternidade

Desde os 23 anos, Francisco alimentava o desejo de ser pai. Aos 30, decidiu que era hora de tornar esse sonho realidade. Por ser gay, chegou a considerar diferentes caminhos: “Pensei em alugar uma barriga fora do país, em ter um filho com uma amiga ou adotar. A adoção me pareceu o caminho mais justo e sensato.”

E ele não se arrepende: “Minhas adoções foram a construção de uma família, com todos os desafios e alegrias que isso implica”, afirmou. Mesmo sem grandes recursos financeiros, Francisco seguiu em frente.

Como começou a história

O primeiro passo foi dado em novembro de 2011, quando Francisco deu início ao processo de adoção. Sem impor restrições de idade, gênero ou saúde, abriu o coração para duas crianças: Cristiano, de 14 anos, e Cristiny, de 9. Eles passaram a viver juntos em 2012.

Cinco anos depois, em 2019, o destino colocou mais três crianças em seu caminho. A Justiça o convidou para conhecer Mayra, então com 8 anos, que vivia em um abrigo. No local, ele descobriu que ela tinha dois irmãos: Andriw e Iago. Ao saber disso, tomou uma decisão que mudaria a vida de todos: adotaria os três, mantendo a família unida.

Hoje, Mayra, Andriw e Iago têm 16, 14 e 12 anos, e completam a família Koch.

Amor acima das dificuldades

A decisão de adotar os três irmãos veio em um momento delicado: Francisco enfrentava dificuldades financeiras. “Quando conheci a Mayra, me contaram sobre os irmãos dela. Conheci os dois e decidi: não iria separá-los. Mesmo sabendo que teria que abrir mão de muitas coisas, vender bens com frequência… minha renda não comportava tantas crianças, mas meu coração, sim.”

A experiência que mudou tudo

Mais do que realizar um sonho, Francisco descobriu o verdadeiro significado da paternidade. “Para mim, idade nunca foi determinante. O vínculo, sim. Essa experiência me ensinou que o amor não precisa de tempo para nascer — só precisa de espaço para existir.”

Ele também reflete sobre o crescimento emocional envolvido: “Nós, adultos, mudamos o tempo todo. Crianças e adolescentes têm ainda mais capacidade de mudança — e com mais profundidade.”

A realidade da adoção no Brasil

De acordo com o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), mais de 33 mil crianças e adolescentes vivem acolhidos em instituições no Brasil, enquanto 36.324 pessoas estão cadastradas para adoção. No entanto, a maioria dos pretendentes deseja bebês, o que dificulta a adoção de crianças mais velhas e grupos de irmãos, que acabam passando anos à espera de uma família.

Histórias como a de Francisco mostram que é possível transformar vidas — inclusive a própria — com coragem, empatia e amor incondicional.

Em São José, SC, Francisco Luis desafia a razão e segue o coração. Ele se torna pai solo de cinco irmãos, entre adolescentes e crianças. Mais realizado impossível! Foto: G1
Em São José (SC), Francisco Luis adota irmãos e se torna pai solo de cinco filhos.- Foto: G1
Fonte: Só Notícia Boa
Foto: G1
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