Uma nova tecnologia promete ampliar o acesso ao tratamento da depressão e levar mais praticidade aos pacientes. A agência reguladora dos Estados Unidos (FDA) aprovou o Flow FL-100, primeiro dispositivo de estimulação cerebral para uso domiciliar no tratamento da depressão moderada a grave. O equipamento já começou a ser comercializado no mercado norte-americano e representa um avanço na oferta de terapias não medicamentosas.
Desenvolvido pela empresa Flow Neuroscience, o aparelho utiliza a técnica de estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), considerada um método não invasivo de neuromodulação. O dispositivo é usado como uma faixa na cabeça e funciona conectado por Bluetooth a um aplicativo de celular, que acompanha as sessões de tratamento. A utilização deve ocorrer sempre com prescrição e acompanhamento médico.
Segundo a empresa, a tecnologia estimula regiões do cérebro ligadas ao controle do humor por meio de correntes elétricas de baixa intensidade, ajudando a melhorar a comunicação entre os neurônios. O procedimento não provoca dor nem convulsões.
A aprovação da FDA foi baseada em um estudo clínico randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, publicado na revista científica Nature Medicine. Os resultados mostraram que, após dez semanas de tratamento, os pacientes que utilizaram o equipamento apresentaram melhora significativamente maior dos sintomas da depressão em comparação com o grupo que recebeu um dispositivo sem estimulação. Também foram observadas taxas mais elevadas de resposta ao tratamento e de remissão da doença.
Até então, os tratamentos de estimulação cerebral aprovados pela FDA eram realizados exclusivamente em clínicas e hospitais. Com a autorização do Flow FL-100, pacientes poderão realizar as sessões em casa, sempre sob supervisão médica, o que pode facilitar o acesso ao tratamento, especialmente para pessoas com dificuldade de deslocamento ou de manter consultas frequentes.
Especialistas ressaltam que o equipamento não substitui as terapias convencionais, como medicamentos, psicoterapia e mudanças no estilo de vida, mas passa a integrar o conjunto de alternativas disponíveis para o tratamento da depressão, permitindo abordagens mais personalizadas.
O dispositivo foi aprovado para adultos com depressão moderada a grave que não apresentam resistência aos antidepressivos e poderá ser utilizado de forma isolada ou em combinação com outros tratamentos. Os efeitos colaterais observados durante os estudos foram, em sua maioria, leves, como dor de cabeça, zumbido e irritação na pele na região dos eletrodos.
O Flow FL-100 está sendo vendido nos Estados Unidos por valores entre US$ 500 e US$ 800, o equivalente a aproximadamente R$ 2.500 a R$ 4 mil, dependendo da cotação do dólar. A expectativa é que a inovação contribua para ampliar as opções terapêuticas e oferecer uma nova esperança para milhões de pessoas que convivem com a depressão.



