Uma nova opção de tratamento para pacientes com câncer de pâncreas metastático acaba de ser aprovada nos Estados Unidos e traz resultados considerados promissores para uma doença historicamente difícil de tratar. A Food and Drug Administration (FDA) autorizou, nesta quarta-feira (26), o uso do daraxonrasib, comercializado no país como Rasonque, para adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já tenham recebido pelo menos uma terapia sistêmica ou que não sejam candidatos a combinações de tratamentos sistêmicos.
A aprovação representa um novo caminho terapêutico para esses pacientes e ocorreu cerca de seis meses e meio antes da data prevista para a conclusão da análise regulatória. Segundo a FDA, o medicamento é uma terapia direcionada que atua sobre a família de proteínas RAS, envolvida no crescimento dos tumores. O tratamento é administrado por meio de um comprimido, uma vez ao dia.
Os resultados que chamaram a atenção da comunidade médica foram apresentados na reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO), em junho. No estudo de fase 3 RASolute 302, que acompanhou 500 pacientes, o daraxonrasib proporcionou uma sobrevida mediana de 13,2 meses, contra 6,7 meses entre os pacientes tratados com quimioterapia convencional. A análise indicou uma redução de aproximadamente 60% no risco de morte.
O medicamento também conseguiu retardar a progressão da doença. No conjunto dos participantes, o tempo mediano sem avanço do câncer foi de 7,2 meses com daraxonrasib, diante de 3,6 meses com a quimioterapia. A taxa de resposta objetiva também foi superior: 30% dos pacientes apresentaram redução mensurável dos tumores, contra 11% no grupo que recebeu quimioterapia, segundo os dados utilizados pela FDA na avaliação.
Outro aspecto positivo observado no estudo foi a tolerabilidade. A proporção de pacientes que precisaram interromper o tratamento por efeitos adversos foi de 1,2% com daraxonrasib, enquanto chegou a 11,2% entre os participantes que receberam quimioterapia. Os pesquisadores consideraram o perfil de segurança administrável e não identificaram novos sinais de segurança.
O entusiasmo em torno dos resultados ganhou destaque durante a apresentação na ASCO, quando os dados foram recebidos com uma reação incomum entre os especialistas presentes. A expectativa é que a nova terapia amplie as alternativas disponíveis para pacientes que enfrentam a progressão do câncer após tratamentos anteriores.
A aprovação também representa um avanço importante no desenvolvimento de terapias capazes de atingir alterações relacionadas à proteína RAS, um dos principais mecanismos envolvidos no crescimento do câncer de pâncreas. De acordo com a ASCO, a maioria dos casos de adenocarcinoma pancreático apresenta alterações na via RAS, tornando esse alvo especialmente relevante para a pesquisa de novos tratamentos.




