Salvador ganha escola gratuita para formar profissionais em restauração do patrimônio histórico

Redação Notícia Boa Bahia
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Igor Santos / Secom PMS
Salvador deu um importante passo para fortalecer a preservação de seu patrimônio histórico. A cidade ganhou, nesta quarta-feira (9), a Escola de Ofícios Tradicionais, instalada na histórica Casa das Sete Mortes, na Rua do Passo, no Pelourinho. A iniciativa oferece formação gratuita para profissionais que irão atuar na recuperação, conservação e restauração de imóveis históricos.
 

A primeira turma será formada por 30 alunos, que terão aulas de pintura tradicional com pigmentos naturais. A formação começa no dia 15 de setembro e segue até 17 de dezembro, abrindo novas oportunidades de qualificação profissional e aproximando a população das técnicas tradicionais utilizadas na conservação do patrimônio.

 

Um dos diferenciais da iniciativa é a possibilidade de ingresso sem experiência prévia. O curso é destinado a pessoas com mais de 18 anos que saibam ler e escrever, com preferência para moradores do Centro Histórico. As inscrições para a primeira turma já foram encerradas, e a lista de espera também está completa, demonstrando o interesse pela formação.

 

A proposta é que a escola tenha funcionamento permanente e amplie gradualmente a oferta de cursos. Entre as próximas áreas previstas estão alvenaria, argamassas, carpintaria e ferraria, ampliando o número de profissionais preparados para trabalhar diretamente na conservação dos casarões e monumentos históricos de Salvador.

 

Coordenada pela Fundação Mário Leal Ferreira (FMLF), a Escola de Ofícios Tradicionais tem como referência a Escola de Ofícios de Mariana, em Minas Gerais, e conta com consultoria técnica do Instituto Pedra.

 

Além do aprendizado das técnicas específicas de cada profissão, os estudantes terão contato com conteúdos sobre a importância e a valorização do patrimônio histórico, empreendedorismo e inserção no mercado de trabalho. Dessa forma, a iniciativa une qualificação profissional, geração de oportunidades e preservação da memória de Salvador.

 

Durante a inauguração, o prefeito Bruno Reis destacou que a escola também contribuirá para atender à crescente demanda por mão de obra especializada diante dos novos projetos de recuperação do Centro Histórico.“Com o intuito de acelerar essas obras e preparar mão de obra especializada para atender ao restauro desses imóveis, é que estamos implantando essa escola”, afirmou.

 

Formação profissional aliada à preservação da história

 

A escolha da Casa das Sete Mortes como sede da escola reforça o simbolismo da iniciativa. Construído no século XVII, o casarão conserva estruturas, revestimentos, azulejos e outros elementos que ajudam a contar parte da história de Salvador.

 

O imóvel foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1943 e ficou conhecido como Casa das Sete Mortes em referência a um episódio ocorrido em 1755, envolvendo a morte de sete pessoas. Ao longo dos anos, o casarão também passou a fazer parte do imaginário popular por meio de histórias e lendas.

 

 

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