Subir escadas pode reduzir riscos cardiovasculares e ajudar a proteger o coração, aponta estudo

Redação Notícia Boa Bahia
4 Leitura mínima
Canva.
Uma atitude simples do dia a dia pode contribuir para a saúde do coração: subir escadas. Uma revisão científica que reuniu dados de mais de 480 mil pessoas identificou que o hábito está associado a um risco 39% menor de morte por doenças cardiovasculares e a uma redução de 24% na mortalidade por todas as causas. Os resultados reforçam que pequenas mudanças na rotina podem incentivar uma vida mais ativa, mesmo para quem não frequenta academias.

Publicado em agosto de 2026 no periódico American Journal of Cardiovascular Drugs, o trabalho analisou nove estudos que acompanharam 480.479 participantes, incluindo pessoas saudáveis e indivíduos com histórico de doenças cardiovasculares. Além da menor mortalidade, os pesquisadores observaram uma associação entre o hábito de subir escadas e menos ocorrências de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

A atividade se destaca por combinar exercício aeróbico e fortalecimento muscular. Ao subir os degraus, os músculos das pernas e dos glúteos trabalham para elevar o corpo, aumentando o gasto energético e a frequência cardíaca. Esse esforço também estimula a circulação sanguínea e pode contribuir para melhorar o condicionamento físico, o controle da glicose e os níveis de colesterol.

De acordo com a cardiologista Juliana Soares, do Einstein Hospital Israelita, pequenas mudanças nos hábitos cotidianos podem trazer benefícios importantes para a saúde cardiovascular. Nesse contexto, aproveitar as escadas disponíveis em casa, no trabalho ou em outros ambientes pode ser uma maneira prática de reduzir o tempo de sedentarismo e incluir mais movimento no dia a dia.

Uma referência prática para quem deseja adotar o hábito é subir de 60 a 70 degraus por dia, aproximadamente quatro ou cinco lances de escada. A atividade pode ser distribuída em diferentes momentos, como pela manhã e à tarde, sem a necessidade de realizar todo o esforço de uma só vez. No entanto, essa quantidade não representa uma meta mínima comprovada pela revisão científica, e cada pessoa deve adaptar a prática à própria condição física.

Para quem está começando, o ideal é avançar gradualmente, respeitando os limites do corpo. Pessoas idosas com risco de quedas, indivíduos com dificuldades de equilíbrio ou problemas articulares importantes e pessoas com doenças cardíacas descompensadas devem buscar orientação profissional antes de incorporar esse esforço à rotina. Dor no peito durante a atividade é um sinal de alerta e exige interrupção imediata do exercício e avaliação médica.

Os pesquisadores ressaltam que a revisão identificou associações, mas não comprova que subir escadas, isoladamente, seja responsável pela redução dos riscos observados. Ainda assim, os resultados reforçam a importância da atividade física regular como parte de um estilo de vida saudável.

A mensagem é positiva: cuidar do coração não depende necessariamente de grandes mudanças ou de uma rotina complexa de exercícios. Para quem pode realizar a atividade com segurança, trocar o elevador pelas escadas em algumas ocasiões pode ser um passo simples para se movimentar mais e fortalecer os hábitos de prevenção ao longo da vida.

Compartilhe este artigo