Publicado em agosto de 2026 no periódico American Journal of Cardiovascular Drugs, o trabalho analisou nove estudos que acompanharam 480.479 participantes, incluindo pessoas saudáveis e indivíduos com histórico de doenças cardiovasculares. Além da menor mortalidade, os pesquisadores observaram uma associação entre o hábito de subir escadas e menos ocorrências de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.
A atividade se destaca por combinar exercício aeróbico e fortalecimento muscular. Ao subir os degraus, os músculos das pernas e dos glúteos trabalham para elevar o corpo, aumentando o gasto energético e a frequência cardíaca. Esse esforço também estimula a circulação sanguínea e pode contribuir para melhorar o condicionamento físico, o controle da glicose e os níveis de colesterol.
De acordo com a cardiologista Juliana Soares, do Einstein Hospital Israelita, pequenas mudanças nos hábitos cotidianos podem trazer benefícios importantes para a saúde cardiovascular. Nesse contexto, aproveitar as escadas disponíveis em casa, no trabalho ou em outros ambientes pode ser uma maneira prática de reduzir o tempo de sedentarismo e incluir mais movimento no dia a dia.
Uma referência prática para quem deseja adotar o hábito é subir de 60 a 70 degraus por dia, aproximadamente quatro ou cinco lances de escada. A atividade pode ser distribuída em diferentes momentos, como pela manhã e à tarde, sem a necessidade de realizar todo o esforço de uma só vez. No entanto, essa quantidade não representa uma meta mínima comprovada pela revisão científica, e cada pessoa deve adaptar a prática à própria condição física.
Para quem está começando, o ideal é avançar gradualmente, respeitando os limites do corpo. Pessoas idosas com risco de quedas, indivíduos com dificuldades de equilíbrio ou problemas articulares importantes e pessoas com doenças cardíacas descompensadas devem buscar orientação profissional antes de incorporar esse esforço à rotina. Dor no peito durante a atividade é um sinal de alerta e exige interrupção imediata do exercício e avaliação médica.
Os pesquisadores ressaltam que a revisão identificou associações, mas não comprova que subir escadas, isoladamente, seja responsável pela redução dos riscos observados. Ainda assim, os resultados reforçam a importância da atividade física regular como parte de um estilo de vida saudável.
A mensagem é positiva: cuidar do coração não depende necessariamente de grandes mudanças ou de uma rotina complexa de exercícios. Para quem pode realizar a atividade com segurança, trocar o elevador pelas escadas em algumas ocasiões pode ser um passo simples para se movimentar mais e fortalecer os hábitos de prevenção ao longo da vida.


