Aos 60 anos, Cris Morais transforma aniversário em campanha de doação de sangue

Redação Notícia Boa Bahia
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Moradora do bairro do Lobato, em Salvador, Cris decidiu celebrar a nova idade mobilizando amigos, familiares e conhecidos em uma corrente que pode salvar vidas

O que começou como uma conversa íntima com Deus sobre a festa dos sonhos para comemorar os 60 anos acabou se transformando em uma corrente de solidariedade. Em vez de pensar apenas em uma comemoração, Cristina Morais, conhecida como Cris Morais, decidiu transformar o próprio aniversário em uma oportunidade para incentivar a doação de sangue.

Moradora do bairro do Lobato, em Salvador, Cris conta que a ideia surgiu de uma maneira inesperada. Enquanto conversava com Deus sobre como gostaria de celebrar a nova idade, começou a chorar e teve uma imagem muito marcante: bolsas de sangue.

“Eu estava conversando com Deus, dizendo como queria a minha festa, as pessoas que eu queria comigo. Nesse momento comecei a chorar e comecei a ver bolsas de sangue. Cheguei a pensar que estava relacionado a alguma doença”, conta.

Pouco depois, uma amiga ligou para fazer um convite. Cris explicou que não poderia comparecer porque era seu aniversário e contou o que estava acontecendo. A partir daquela conversa, a história começou a ganhar novos caminhos. Ela compartilhou a ideia com algumas pessoas e uma delas entrou em contato com uma amiga que trabalha no Hemoba. Foi assim que a iniciativa começou a se concretizar.

Mas a relação de Cris com a doação de sangue vem de muito antes da campanha dos seus 60 anos. Ela guarda na memória duas situações pessoais que, segundo ela, ajudam a explicar por que a causa se tornou tão importante em sua vida.

A primeira aconteceu há quase três anos, quando Cris sofreu um grave acidente de carro. O acidente aconteceu em 13 de dezembro, e a cirurgia foi realizada em 9 de janeiro. Para o procedimento, ela precisou de uma bolsa de sangue por segurança e, diante da necessidade, amigos se mobilizaram para fazer doações.

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“Eu precisei de uma bolsa de sangue. Não que eu fosse usar o sangue, mas por garantia, porque eu ia fazer uma cirurgia. Hoje eu tenho quatro parafusos na coluna cervical. Quando o hospital pediu essa bolsa de sangue, meus amigos saíram doando. Eu precisava de quatro bolsas e conseguimos 34”, relembra.

Agora, anos depois de ter sido beneficiada pela solidariedade de outras pessoas, Cris sente que chegou a hora de fazer a sua própria devolutiva. “Eu hoje estou fazendo essa devolutiva. Eu sei que também não vou usar, mas alguém da minha família já usou, alguém da minha família vai usar. Então eu quero devolver aquilo que fizeram por mim”, afirma.

A segunda lembrança está relacionada ao pai. Há mais de duas décadas, quando ele ainda era vivo, Cris acompanhou de perto a necessidade de sangue durante o período em que ele esteve internado no Hospital Santo Antônio, das Obras Sociais Irmã Dulce. Naquela época, sem as facilidades de comunicação que existem atualmente, ela saiu pessoalmente pelos corredores e filas do hospital pedindo ajuda a desconhecidos. “Meu pai era uma pessoa muito doente e precisou várias vezes de bolsa de sangue. Só que naquela época não tinha Instagram, não tinha WhatsApp, não tinha nada disso. Ele estava internado no hospital da Irmã Dulce e eu saí pedindo na fila alguém que doasse sangue para o meu pai”, conta.

A mobilização deu resultado. Mesmo sem conhecer Cris, quatro homens se sensibilizaram com o pedido e doaram sangue. Ela também levou dois amigos e vizinhos para participar da ação. “Naquele dia eu consegui que quatro rapazes que não me conheciam, mas que estavam ali e me viram chorando, pedissem para doar para meu pai. Eu levei dois amigos meus, dois vizinhos daqui. Então foram seis bolsas. Há mais de 20 anos eu pedi e consegui”, relembra.

É justamente por ter vivido os dois lados da história, o de quem precisou mobilizar pessoas para conseguir sangue e o de quem recebeu ajuda de uma corrente de solidariedade, que Cris decidiu transformar seu aniversário em uma nova mobilização. “Dessa vez eu vou pedir, estou pedindo e vou continuar pedindo. E vou conseguir mais ainda”, afirma, determinada. Para Cris, a escolha da doação de sangue como forma de celebrar a vida tem um significado profundo. “Por que eu escolhi a doação como forma de celebrar esse novo ciclo? Porque sangue é vida. Doação de sangue é vida, é amor.”

A partir daí, nasceu o Aniversário Solidário da Cris Morais, com um convite especial para que amigos, familiares e amigos de amigos participem da campanha durante todo o mês de setembro. A expectativa da aniversariante é conseguir reunir doadores suficientes para alcançar a marca simbólica de 60 bolsas de sangue ou mais, em referência aos seus 60 anos.

Mãe de duas filhas e avó de quatro netos, Cris trabalha atualmente como babá e mantém o desejo de continuar espalhando essa mensagem para além do próprio aniversário. Para ela, cada doação representa muito mais do que uma bolsa de sangue, representa a possibilidade de alguém continuar vivendo, de uma família receber uma boa notícia e de uma pessoa encontrar esperança em um momento difícil.

O grande dia da mobilização é neste sábado (19), data do aniversário de Cris. A ação acontece no Hemoba, na região da Ladeira do Hospital Geral, das 7h30 às 16h30.

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